Falhas de água em Castelo de Bode arrastam-se há 18 anos e moradores recusam pagar nova ligação
Sete habitações junto à barragem de Castelo de Bode continuam dependentes de uma antiga rede da EDP, sujeita a avarias e cortes de água. Câmara de Tomar vai reunir com os moradores ainda este mês, mas admite que parte dos custos da ligação à rede pública poderá ter de ser suportada pelos proprietários. Famílias contestam e já procuram aconselhamento jurídico.
Os moradores de sete habitações junto à barragem de Castelo de Bode, em São Pedro de Tomar, continuam a enfrentar falhas no abastecimento de água num problema que, garantem, se arrasta há cerca de 18 anos. A Câmara de Tomar vai reunir ainda este mês com as famílias para procurar uma solução, embora o presidente do município, Tiago Carrão, admita que os proprietários poderão ter de suportar parte dos custos da ligação à rede pública. Eulália Fernandes, uma das moradoras, voltou a denunciar a situação depois de uma resposta da Tejo Ambiente remeter a solução definitiva para a posição que o município de Tomar venha a assumir. “Importa saber qual é essa posição e quais as medidas concretas que a câmara está disponível para tomar”, afirma.
Entre 22 e 24 de Junho, as sete casas estiveram mais de 48 horas sem água devido a uma avaria na infraestrutura da EDP que ainda assegura provisoriamente o abastecimento. O MIRANTE recebeu também queixas de antigos trabalhadores e moradores do Bairro da EDP, que denunciam cortes frequentes e falta de respostas por parte da empresa. Tiago Carrão confirmou a O MIRANTE que a câmara reuniu a 3 de Agosto com a Tejo Ambiente, a EDP e a Junta de Freguesia de São Pedro de Tomar. O autarca reconhece que o actual sistema “não é sustentável”. A água chega às habitações através de uma antiga captação directa da barragem utilizada pela EDP, empresa que está agora a concluir a ligação dos seus próprios imóveis à rede pública.
Depois dessa operação, as sete casas também terão de passar para a rede da Tejo Ambiente. Segundo Tiago Carrão, a empresa assegura os primeiros 50 metros da extensão da rede, ficando o restante investimento, à partida, a cargo dos proprietários. O presidente admite, contudo, a possibilidade de apoios em casos de maior fragilidade económica. “Os nossos serviços sociais terão de fazer esse acompanhamento para percebermos o contexto de cada agregado familiar”, explica.
Moradores dizem que já pagaram ligação à água
A hipótese de terem de suportar novos encargos revolta as famílias. Mariana Caetano, de 37 anos, considera “injusto” pagar por uma situação que, defende, deveria estar resolvida há muitos anos. Recorda que, em 2008, os moradores receberam uma comunicação da EDP indicando que a empresa deixaria de poder fornecer água e que o então SMAS procederia à ligação à rede pública até Dezembro desse ano. Eulália Fernandes afirma que os moradores “pagaram a ligação da água na altura” e lembra que as casas têm contadores e licenças de habitação. Mariana Caetano admite pagar a ligação individual da sua residência, mas contesta ter de financiar uma conduta destinada a servir várias habitações. Os moradores já começaram a procurar aconselhamento jurídico para perceber quais os seus direitos caso não seja possível chegar a acordo. “Não queremos criar confusões e conflitos, mas também temos de perceber e defender os nossos direitos”, afirma Mariana.
Tiago Carrão diz não ter encontrado prova de um compromisso formal assumido pelos antigos SMAS em 2008, mas garante que a autarquia quer desbloquear o problema. “Vamos reunir com os proprietários e vamos encontrar aqui uma solução, também com essa sensibilidade social”, assegura.


