Dezena e meia de pessoas em Arruda dos Vinhos ainda não voltou a casa depois do mau tempo
Autarca de Arruda dos Vinhos garante que o município tem continuado a apoiar quem precisa mas critica demora no envio de apoios financeiros do Estado. Município pediu 3,8 milhões de euros à banca para reparar estragos urgentes mas só recebeu do Estado até agora pouco mais de 500 mil euros.
Ainda estão 15 pessoas desalojadas e a viver, de forma provisória, em habitações municipais e de familiares em Arruda dos Vinhos, na sequência dos estragos causados pelas tempestades de Fevereiro. Numa casa municipal está um agregado com dois menores e em unidades habitacionais de emergência da câmara outros dois agregados com um menor, num total de sete pessoas. Em regime de renda apoiada estão ainda a viver dois agregados, incluindo cinco pessoas com uma idosa, mantendo-se a distribuição de bens alimentares e de higiene. As restantes três pessoas estão em casas de familiares. Os dados foram actualizados a O MIRANTE na última semana pelo presidente do município, Carlos Alves (PS).
Os moradores da zona mais afectada, o Lapão, ainda não voltaram a casa por estarem a aguardar a conclusão da avaliação que está a ser feita pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil. “O LNEC ainda não concluiu a avaliação e o estudo geotécnico de todas as casas e não fez chegar ao município essa documentação, que carece de ser validada para depois se perceber se há a possibilidade das casas serem requalificadas ou se se deve proceder ao seu abandono definitivo. Neste momento estamos neste impasse”, refere Carlos Alves.
Até agora já foram apresentadas 79 candidaturas de particulares a apoios públicos, correspondentes a 532 mil euros, tendo sido aprovadas 67, no valor de 435 mil euros. Apesar das promessas governamentais Arruda dos Vinhos é um dos municípios do Oeste que foi obrigado a endividar-se junto da banca - num valor de 3,8 milhões de euros - para conseguir reparar estragos sem que até agora tenha recebido a devida compensação do Estado central. O que chegou até agora aos cofres municipais, recorde-se, foi pouco mais de meio milhão de euros. “Há várias perguntas que têm que ser feitas ao Governo, nomeadamente quem é que paga todos estes danos que são muito onerosos para os municípios, porque há aqui verbas que vão ser transferidas e que acabam por ter que ser ressarcidas por parte das autarquias para fazer face àquilo que é o remanescente”, critica. Para Carlos Alves, as respostas do Estado não deveriam ser dadas à custa de incentivos ao crédito “puro e duro” das autarquias. “Havia da parte do governo um compromisso de adiantamento de um milhão e meio mas que tarda a chegar e temos projectos de execução a ser elaborados e obras para avançar. Este enquadramento legal do Governo é importante mas não pode ser um incentivo ao crédito e dívida que depois fica nos territórios, especialmente os de pequena dimensão como é Arruda e que fica com isto a ver a sua sustentabilidade financeira posta em causa”, avisa. O concelho de Arruda dos Vinhos, recorde-se, contabilizou prejuízos globais no seu território na ordem dos 20 milhões de euros, um valor bem acima do seu orçamento anual, com estragos sobretudo em estradas, habitações, mas também no Parque Urbano das Rotas e no terminal rodoviário.


