Sociedade | 24-08-2026 10:00

Falhas nas comunicações persistem e utentes pressionam Governo

Falhas nas comunicações persistem e utentes pressionam Governo
Manuel Soares, porta-voz da comissão de utentes dos serviços públicos do Médio Tejo - foto O MIRANTE

Postes inclinados, cabos no chão, equipamentos danificados e habitações ainda sem telefone, televisão ou Internet. Seis meses depois da tempestade Kristin, a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo diz que há muito por resolver e lança um abaixo-assinado para exigir respostas e investimento nas redes de telecomunicações da região.

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo (CUSPMT) vai avançar com um abaixo-assinado para exigir a reposição e melhoria das telecomunicações numa região onde, seis meses depois da tempestade Kristin, continuam a existir infraestruturas danificadas e consumidores com serviços deficientes ou mesmo inexistentes. “Verificamos que muito está por fazer e receamos que daqui por seis ou 12 meses ainda haja situações por resolver”, afirma o porta-voz da comissão, Manuel Soares.
Ourém, Tomar, Torres Novas, Abrantes e Mação estão entre os concelhos onde a estrutura identificou problemas. O cenário, segundo Manuel Soares, é visível ao longo das estradas: postes que só se mantêm de pé apoiados nos cabos, fios cortados ou caídos no chão e estruturas em risco de tombar para as faixas de rodagem. Há também caminhos rurais cujo acesso está condicionado. Nas zonas urbanas os problemas são diferentes mas igualmente preocupantes. A comissão aponta bastidores de redes com portas abertas, equipamentos deslocados e uma acumulação de cabos, alguns dos quais poderão estar desactivados há décadas.
A CUSPMT sublinha que o problema já não pode ser explicado apenas pelos estragos provocados pela tempestade de finais de Janeiro. Para os utentes, o temporal expôs fragilidades antigas e tornou evidente a necessidade de modernizar as infraestruturas. No documento, que vai circular pelos 11 concelhos do Médio Tejo, é denunciada a existência de habitações sem acesso ou com acesso deficiente a telefone, televisão por cabo e Internet, com consequências no trabalho, ensino, acesso à informação e utilização de outros serviços essenciais. Os utentes exigem a “reposição ou melhoria urgente” dos serviços, informação sobre os prazos previstos para resolver os problemas e investimento em redes “mais modernas, resistentes e fiáveis”.
A comissão alerta ainda para situações em que infraestruturas de telecomunicações estão próximas das redes eléctricas, aumentando os riscos para a segurança e para a continuidade de serviços considerados essenciais. O abaixo-assinado vai estar disponível em cerca de 300 locais dos 11 concelhos do Médio Tejo até ao final de Agosto. Depois será enviado ao Ministério das Infraestruturas, com conhecimento da Assembleia da República, autarquias, ANACOM e outras entidades do sector.

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