Câmara de VFX desclassifica solos para expandir plataforma logística da Castanheira
Município aprovou proposta para elaborar plano de pormenor para voltar a expandir a plataforma e criar no local o maior cluster empresarial do concelho de Vila Franca de Xira. Câmara traça como meta criar até cinco mil empregos na zona até 2030.
A Câmara de Vila Franca de Xira vai lançar um plano de pormenor para a Plataforma Logística da Castanheira do Ribatejo, visando desclassificar quase 2 milhões e 950 mil metros cúbicos de áreas protegidas para permitir a expansão daquela área industrial, que tem uma área total de 340 hectares. O objectivo, diz Fernando Paulo Ferreira, presidente do município, é permitir a criação naquele local da maior plataforma empresarial do concelho, que está destinada para receber também, recorde-se, o maior centro de dados da Europa. “A expansão da plataforma é um projecto em que estamos a trabalhar com o Governo e as empresas daquela zona”, explica, lembrando que já está em obra a construção do cais fluvial da Castanheira que será uma extensão do Porto de Lisboa. Estando a decorrer o processo de duplicação da Linha do Norte, anunciou, tanto a câmara como as 15 empresas ali instaladas estão a tentar convencer o Governo para que possa ser criado no local um ramal ferroviário para escoar mercadorias. “Não precisamos que o governo gaste ali dinheiro, as empresas estão disponíveis para pagar esse ramal. Só precisamos que o Governo se mostre disponível para permitir ali a sua construção”, anunciou o autarca, que disse já ter falado sobre o assunto com os ministros da economia e ambiente. “Estamos com isto a olhar para o futuro”, defendeu, traçando como meta a criação de cinco mil empregos na zona até 2030, além dos três mil que até hoje ali foram criados.
“Como estamos a ter muita procura no sector das novas tecnologias, ambicionamos com esta alteração criar ali uma grande plataforma de desenvolvimento empresarial da região de Lisboa. Vamos lançar este plano de pormenor sem embargo de na revisão do Plano Director Municipal ele poder vir a ser encarado pelas diferentes entidades de outra forma para termos outra cristalização do processo”, defendeu.
32 milhões para os cofres municipais
A proposta foi aprovada em reunião de câmara com os votos contra da CDU, que alertou para a desclassificação de solos ricos para outras utilizações, como agricultura, em favor de negócios imobiliários. “Estamos a desclassificar solo da reserva agrícola nacional e com isso a gerar mais-valias fundiárias de 491 milhões de euros. Isto é a expressão da ausência de políticas públicas municipais para valorizar território com características suburbanas”, criticou Cláudia Martins. Com a alteração a estimativa é que, em sede de IMT, o município vá encaixar 32 milhões de euros em receitas, segundo a CDU. O documento vai agora para consulta pública. Miguel Cruz, da Coligação Nova Geração, lembrou que a plataforma é uma peça central do desenvolvimento daquela zona necessitando de acessibilidades francas e disse esperar que a expansão contemple mais economia digital e tecnológica e menos logística. Já Marisa Durão, do Chega, alertou para as preocupações com a falta de planeamento para as questões de emergência expressas no documento.


