Sociedade | 25-08-2026 11:58

Evento com Gustavo Santos em Santarém gera ondas de choque na reunião de cãmara

Evento com Gustavo Santos em Santarém gera ondas de choque na reunião de cãmara

Desinformação, censura e liberdade de expressão foram conceitos debatidos na última reunião do executivo municipal de Santarém, a propósito da realização no CNEMA de um evento da Associação Movimento Acorda, liderada pelo mediático e controverso Gustavo Santos. O vereador socialista Pedro Ribeiro argumenta que espaços públicos em que o município é accionista não devem servir para actividades que promovem a desinformação, nomeadamente na área da ciência. Presidente da câmara rejeita a intromissão na actividade de uma sociedade privada.

O evento que a A.M.A. - Associação Movimento Acorda, liderada pelo mediático Gustavo Santos, um dos rostos do movimento anti-vacinas em Portugal, vai realizar no Centro Nacional de Exposições (CNEMA), em Santarém, não passou despercebido ao vereador do PS Pedro Ribeiro. O autarca defendeu, na reunião de câmara de 24 de Agosto, que espaços em que o município tem posição não devem servir para actividades que promovam a “desinformação”, nomeadamente anti-vacinas. Recorde-se que a Câmara Municipal de Santarém é a segunda maior accionista do CNEMA, uma sociedade privada liderada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

“As pessoas podem fazer as coisas onde entenderem. No caso concreto, o CNEMA tem como um dos principais accionistas o município de Santarém e entendemos que não faz sentido que uma instituição pública, credível, possa servir para promover a desinformação na ciência”, declarou Pedro Ribeiro, revelando que vai apresentar uma “recomendação” em próxima reunião do executivo para reforçar essa posição.

Defendendo que “não se trata de nenhum tipo de censura”, o autarca socialista, na oposição, deu nota de que esse tipo de mensagens tem levado à diminuição drástica das protecções globais face a determinadas doenças que se julgavam praticamente erradicadas. E considera que a divulgação desse tipo de mensagens em espaços públicos onde a câmara é accionista deveria ser repensada. “Obviamente que nós não podemos dizer ao CNEMA aquilo que deve ou não deve, mas neste caso, deveríamos ter essa recomendação, de que possam ter em atenção este tipo de coisas. Estamos a falar de situações onde se vai claramente contra tudo aquilo que é a ciência”, defendeu.

Já chegámos à Coreia do Norte?

A proposta de recomendação do PS dificilmente passará, a julgar pela reacção do presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), que chegou mesmo a comparar o discurso de Pedro Ribeiro com o que é praticado noutros pontos do globo. “A sua intervenção fez-me quase situar na Coreia do Norte ou nessa zona geográfica do mundo”, afirmou o autarca, considerando descabida a intromissão do executivo na actividade de uma entidade privada como é o CNEMA.

“Que esta seja só uma mensagem do PS para a população e para o CNEMA, com a qual não me revejo nem identifico. As pessoas são livres de poderem ir, ou não, a determinados eventos. (…) Não estou preocupado com o que um senhor pensa ou diz, até porque acho que não se deve dar palco a alguém, como o vereador Pedro Ribeiro está a fazer, que tem um conjunto de opiniões com as quais não me identifico. Não tenho interesse em ir ver, mas evidentemente que é a liberdade a falar mais alto. Daí repudiar o conteúdo e o objectivo da sua intervenção”, afirmou João Leite dirigindo-se a Pedro Ribeiro.

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