Sociedade | 27-08-2026 12:00

GNR apanha em Campo Maior cabecilha de rede de narcotráfico que operava em Benavente

GNR apanha em Campo Maior cabecilha de rede de narcotráfico que operava em Benavente
Em Julho de 2025, a GNR retirou lanchas da organização criminosa de um armazém situado numa herdade localizada entre Samora Correia e Alcochete, junto à Estrada Nacional 118 - foto arquivo O MIRANTE

O espanhol liderava um grupo especializado na logística de lanchas rápidas utilizadas no narcotráfico e chegou a operar nas zonas de Benavente e Samora Correia. A GNR manteve sob vigilância uma casa do suspeito, situada a apenas dois quilómetros da fronteira com Espanha.

O cabecilha de uma rede internacional ligada ao tráfico de droga através de lanchas de alta velocidade foi detido pela GNR numa moradia em Campo Maior, distrito de Portalegre, depois de ter permanecido mais de um ano em fuga a um mandado de detenção europeu. O suspeito liderava um grupo que chegou a utilizar herdades e armazéns nas zonas de Benavente e Samora Correia para montar, guardar e lançar as embarcações ao rio Tejo. A detenção ocorreu a 13 de Agosto, quando o homem regressou à habitação que possuía em Campo Maior e que estava a ser vigiada pelos militares. O suspeito rodeava-se de vários cuidados que lhe permitiram escapar durante mais de um ano às autoridades portuguesas e espanholas.
Depois de ter sido avistado na residência, uma colaboração entre a GNR e o Ministério Público de Santarém permitiu que fosse detido menos de 12 horas mais tarde. O homem ficou em prisão preventiva. A informação divulgada pela GNR indicava apenas que o líder da organização tinha sido detido no distrito de Portalegre, sem precisar a localidade. A investigação, iniciada há mais de três anos, esteve a cargo do Grupo de Intervenção de Operações Especiais da GNR e foi desenvolvida em articulação com a Guardia Civil. O espanhol era apontado pelos investigadores como o cabecilha do chamado “grupo II”, responsável por assegurar a logística necessária às redes internacionais de narcotráfico que utilizavam embarcações de alta velocidade.
Durante anos terá construído uma estrutura dedicada a movimentar as chamadas “voadoras”. As embarcações eram transportadas em camiões, montadas em armazéns nas duas margens do estuário do Tejo e posteriormente colocadas “a nado” no rio. O grupo disponibilizava ainda pilotos para levar as lanchas até ao alto-mar e assegurava combustível, peças e mantimentos. A investigação prolongou-se durante 38 meses e permitiu perceber que o cabecilha recrutava familiares, entre os quais pelo menos dois filhos e dois sobrinhos, além de portugueses conhecedores da região. Eram procuradas pessoas capazes de conduzir veículos pesados, alguns com matrículas falsas, ou que dispusessem de armazéns onde fosse possível montar e guardar as embarcações. A preferência recaía sobre instalações com acesso ao Tejo, facilitando o lançamento das lanchas. A organização começou por operar nas zonas de Benavente e Samora Correia, mas acabou por alargar a actividade à margem norte do rio, nomeadamente a Alenquer, Carregado, Ota e Castanheira do Ribatejo.
A estrutura logística da organização foi desmantelada em Julho de 2025, mas nessa altura o alegado líder conseguiu escapar à operação. Foi também durante essa investigação que O MIRANTE acompanhou movimentações da GNR numa herdade situada a poucos quilómetros do Porto Alto, de onde foram retirados reboques utilizados para transportar lanchas rápidas. A operação realizada em 2025 terminou com 49 detenções, 32 em Portugal e 17 em Espanha. Foram apreendidas sete toneladas de haxixe e 650 quilos de cocaína, além de 18 lanchas de alta velocidade avaliadas em cerca de oito milhões de euros e 40 motores de alta potência avaliados em aproximadamente 2,5 milhões. As autoridades apreenderam ainda 780 mil euros em numerário, 11 armas de fogo e 24 viaturas.

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