Sociedade | 27-08-2026 15:00

Vale do Tejo ainda muito fragilizado sete meses depois da tempestade Kristin

Vale do Tejo ainda muito fragilizado sete meses depois da tempestade Kristin
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Agricultores do Ribatejo queixam-se que a região permanece muito fragilizada face a novos fenómenos meteorológicos extremos e dizem não ter informação clara sobre o levantamento dos danos ou sobre as intervenções previstas.

Sete meses após a passagem da tempestade Kristin, agricultores do vale do Tejo afirmam que persistem danos por reparar e falta coordenação entre entidades, considerando que a região permanece "muito fragilizada" perante novos fenómenos meteorológicos extremos. O presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra, considerou, em declarações à agência Lusa, que "no terreno" existe "muito pouca acção" e os produtores permanecem numa situação de ‘stand-by’, sem informação clara sobre o levantamento dos danos ou sobre as intervenções previstas. "Vejo muito pouca acção no terreno, vejo muito pouca informação a dizer o que é que se levantou e o que é que se vai fazer", afirmou.

Segundo o dirigente associativo, continuam a decorrer processos de levantamento e análise dos prejuízos apresentados pelos agricultores junto das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), mas muitos produtores não conhecem ainda o resultado das candidaturas nem os montantes de apoio a receber. Na opinião de Luís Seabra, muitos produtores continuam sem respostas definitivas relativamente aos prejuízos sofridos, num contexto que descreve como “marcado pela falta de informação”, “pela demora dos processos” e pela “ausência de intervenções estruturais” visíveis no terreno.

Luís Seabra defendeu que o Governo e os organismos envolvidos deveriam divulgar um “ponto de situação detalhado sobre os danos identificados”, bem como os processos analisados e os apoios atribuídos. "Seria importante dizer o que é que foi levantado, o que é que está analisado e o que é que está pago", sustentou. O responsável alertou também para situações em que os prejuízos apenas se tornaram evidentes meses depois da tempestade, durante o decorrer das campanhas agrícolas.

Segundo explicou, em vários casos os danos inicialmente declarados revelaram-se mais extensos à medida que os agricultores regressaram aos terrenos” e retomaram os trabalhos agrícolas. “Há determinados danos que só se vieram a constatar mais tarde, nomeadamente, durante a campanha", referiu, considerando que os prejuízos identificados numa fase posterior devem ser reportados e avaliados pelas entidades competentes.

Muitos problemas por resolver

Entre os problemas que permanecem por resolver, Luís Seabra apontou constrangimentos em infraestruturas consideradas fundamentais para a actividade agrícola. Como exemplo, referiu as limitações de circulação impostas em várias pontes no distrito de Santarém, onde se mantém um condicionamento de trânsito para veículos com mais de 20 toneladas, obrigando os produtores a percursos alternativos para o transporte das colheitas.

O dirigente assinalou também a situação dos diques de protecção contra cheias na Vala da Azambuja, onde afirma subsistirem danos reparados apenas “de forma provisória”, em obras feitas pelos próprios agricultores, sem que exista ainda clareza sobre quem assumirá os respetivos custos. "Se [as reparações provisórias] não fossem feitas pelos agricultores, a terra estava inundada", afirmou.

Luís Seabra criticou ainda aquilo que considera ser uma falta de responsabilização das várias entidades envolvidas na gestão e recuperação do território. Segundo o dirigente associativo, os agricultores deparam-se frequentemente com respostas distintas de organismos como a Infraestruturas de Portugal, autarquias, forças de segurança e entidades ambientais, sem que seja claro quem assume a responsabilidade pela resolução dos problemas. "Quem é que manda? Quem é que governa? Quem é que se responsabiliza?", questionou, apontando a necessidade de uma maior articulação entre entidades.

Culturas estão a correr bem

Apesar dos problemas, o dirigente associativo referiu que as culturas de regadio "estão a correr relativamente bem", embora persistam preocupações relacionadas com infraestruturas degradadas e com os efeitos acumulados dos fenómenos meteorológicos extremos. “Os agricultores têm uma grande capacidade de reconstruir e voltar à luta", observou Luís Seabra, referindo que apesar das dificuldades disse não ter conhecimento de um abandono significativo da actividade agrícola na região.

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