Sociedade | 28-08-2026 21:00

Contestação ao biometano em Árgea vai sair à rua no Entroncamento

Contestação ao biometano em Árgea vai sair à rua no Entroncamento
Moradores de Árgea continuam a opor-se ao projecto de biometano - foto DR

Comissões de utentes preparam uma arruada contra a localização da unidade de produção de biometano prevista para o concelho de Torres Novas. Populações e autarcas prometem manter a pressão enquanto o processo de avaliação ambiental está nas mãos da Agência Portuguesa do Ambiente.

A contestação à instalação de uma unidade de produção de biometano em Árgea, no concelho de Torres Novas, vai voltar à rua, desta vez no Entroncamento. As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo anunciaram a realização de uma arruada, ainda sem data definida, para reforçar a oposição à localização escolhida para o projecto da empresa Gás da Terra. A iniciativa foi anunciada durante uma reunião realizada na terça-feira, 18 de Agosto, na sede da Junta de Freguesia de São João Baptista, no Entroncamento, que reuniu cerca de meia centena de pessoas, entre as quais moradores de Árgea.
Ao longo da sessão foram feitas mais de uma dezena de intervenções, incluindo de responsáveis autárquicos da freguesia, que reiteraram as preocupações relacionadas com a qualidade do ar, transporte de matérias-primas e resíduos, proximidade da rede hidrográfica e aumento da circulação de veículos pesados. Foi também criticada a inexistência de legislação específica para este tipo de actividade. As comissões de utentes defendem que a mobilização popular e institucional deve continuar até que o promotor abandone a localização prevista e encontre uma alternativa afastada de zonas habitacionais e de áreas com actividade humana. Além da arruada no Entroncamento estão previstas novas iniciativas dirigidas à população de Torres Novas.
A oposição ao projecto tem também expressão nos órgãos autárquicos. A Assembleia Municipal do Entroncamento aprovou por unanimidade, a 30 de Junho, uma moção de “total e veemente oposição” à localização e pediu à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que emita uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável. Entre os argumentos apresentados está a possibilidade de os ventos dominantes de norte e noroeste transportarem emissões e odores para a zona urbana do Entroncamento, além das preocupações com o aumento do tráfego pesado, ruído e eventual desvalorização imobiliária. Também a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou, em Junho, três moções contra o projecto. A contestação tem sido acompanhada por abaixo-assinados e tomadas de posição de vários órgãos autárquicos da região, sublinhando os opositores que não está em causa a produção de energia renovável ou a tecnologia do biometano, mas a localização proposta.
O projecto da Gás da Terra prevê a construção de uma unidade na União de Freguesias de Olaia e Paço, com capacidade para valorizar cerca de 100 mil toneladas por ano de resíduos orgânicos e efluentes pecuários. O procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental esteve em consulta pública até 3 de Julho e a respectiva Declaração de Impacte Ambiental encontra-se agora em apreciação pela APA. A empresa sustenta que a unidade será equipada com tecnologia destinada a minimizar odores, proteger os recursos hídricos e reduzir os restantes impactes ambientais, defendendo que permitirá valorizar resíduos, produzir energia renovável e contribuir para a descarbonização.
A Câmara de Torres Novas também já manifestou reservas, considerando que o projecto não tem enquadramento no Plano Director Municipal actualmente em vigor e apontando constrangimentos urbanísticos e rodoviários à sua instalação.

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