Sociedade | 28-08-2026 15:00

Recuperação estrutural na Lezíria do Tejo pós-Kristin prossegue sete meses depois

Zonas ribeirinhas ficaram submersas e várias vias permaneceram condicionadas - foto O MIRANTE

Na Lezíria do Tejo, a tempestade Kristin causou prejuízos em habitações, empresas, explorações agrícolas, estradas, taludes, linhas de água, equipamentos públicos e património.

O presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) afirmou que a região já ultrapassou a fase mais crítica provocada pela tempestade Kristin, mas, sete meses após a intempérie, a recuperação estrutural ainda está em curso. Em resposta à Lusa, o também presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), considerou que a região entrou agora numa nova etapa, centrada na reconstrução de infraestruturas, habitações e património danificados pelo fenómeno meteorológico que atingiu o território.

De acordo com o responsável, na Lezíria do Tejo foram apresentadas 546 candidaturas ao apoio à habitação própria e permanente, num total superior a 3,1 milhões de euros. Segundo João Leite, os municípios validaram 541 processos e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo já decidiu 535, cerca de 99% dos pedidos apreciados. Até 21 de Agosto tinham sido pagos 231 apoios, no valor global de 955.527 euros. "São números muito importantes, porque demonstram que os apoios não ficaram no papel. O dinheiro está efectivamente a chegar às famílias", afirmou.

Segundo João Leite, a tempestade provocou prejuízos em habitações, empresas, explorações agrícolas, estradas, taludes, linhas de água, equipamentos públicos e património, exigindo uma resposta continuada das autarquias e da administração central. "Uma catástrofe desta natureza não se resolve em semanas nem em poucos meses", sublinhou. Questionado sobre a resposta do Governo, João Leite fez uma avaliação "globalmente positiva", reconhecendo que houve aspectos passíveis de melhoria, mas salientou a rapidez com que foram criados mecanismos extraordinários de apoio.

Disponibilização rápida de verbas foi fundamental

O presidente da CIMLT destacou o papel desempenhado pela CCDR do Alentejo na articulação com os municípios e elogiou também a actuação da ministra do Ambiente e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Segundo afirmou, a disponibilização célere de verbas permitiu às autarquias avançar com intervenções em linhas de água, estradas e taludes sem terem de aguardar pela conclusão de procedimentos administrativos normalmente mais demorados. "Não há memória de os municípios receberem, com esta celeridade, vários milhões de euros para intervenções urgentes", sustentou.

Apesar disso, considerou prematuro concluir que todos os prejuízos causados pela tempestade estejam totalmente cobertos pelos apoios existentes. João Leite assinalou, contudo, a existência de instrumentos destinados a apoiar famílias, empresas, agricultores e autarquias. No caso dos municípios, destacou o Fundo de Emergência Municipal, que permite candidatar intervenções de reparação e reconstrução de infraestruturas afectadas, com financiamento até 60% dos custos elegíveis. Referiu ainda a possibilidade de recurso a financiamento complementar através do Banco Europeu de Investimento e de outros programas.

A passagem da tempestade Kristin evidenciou também, na visão do presidente da CIMLT, vulnerabilidades estruturais do território, alertando para os efeitos das alterações climáticas e para a necessidade de adaptar as infraestruturas a fenómenos meteorológicos mais intensos. Como principal lição retirada da tempestade, João Leite apontou a importância da rapidez na tomada de decisões em contexto de emergência, sublinhando que é preciso “transformar esta experiência numa oportunidade para deixar a Lezíria do Tejo mais segura, mais preparada e mais resiliente para o futuro".

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