Abrantes admite dificuldades na recolha de biorresíduos após investimento de 800 mil euros
Projecto de recolha de biorresíduos arrancou em 2023 como experiência-piloto em três freguesias. Vereador João Morgado quer conhecer os resultados e saber quando o sistema será alargado ao restante concelho de Abrantes.
Mais de três anos depois do arranque da recolha selectiva de biorresíduos em Abrantes, e após um investimento superior a 800 mil euros, a oposição quer conhecer os resultados do projecto e saber quando é que os chamados contentores castanhos vão chegar ao restante território do concelho. O vereador João Morgado, do PSD, questionou o executivo municipal sobre o balanço da experiência iniciada em Janeiro de 2023 e quis saber se os resultados alcançados correspondem às expectativas que estiveram na origem do projecto.
A iniciativa arrancou como experiência-piloto nas freguesias de Abrantes e Alferrarede, Tramagal e Pego, representando um investimento de cerca de 500 mil euros, ao qual se juntou a aquisição de uma viatura avaliada em mais de 300 mil euros. Perante o montante investido, João Morgado defendeu a necessidade de serem apresentados dados concretos sobre o funcionamento do sistema, nomeadamente quanto às quantidades de biorresíduos recolhidas e ao grau de adesão da população. O vereador questionou ainda quando será feita a expansão ao restante concelho, quais as freguesias que serão abrangidas e que calendário está previsto.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, explicou que o município está a analisar os comportamentos da população e o próprio modelo de recolha, reconhecendo que os resultados ainda não atingiram os níveis de eficácia desejados. Segundo o autarca, a separação dos resíduos orgânicos exige rigor por parte dos utilizadores, uma vez que a colocação de materiais indevidos num contentor de biorresíduos pode contaminar todo o conteúdo e inviabilizar o seu aproveitamento. Manuel Valamatos reconheceu igualmente que a gestão dos biorresíduos apresenta dificuldades diferentes consoante as características de cada território. Nas zonas menos urbanas e mais rurais, referiu, a alteração de hábitos pode revelar-se particularmente difícil. Recordou, a título de exemplo, que práticas antigas como enterrar restos de fruta e outros resíduos orgânicos foram sendo substituídas pela sua deposição nos contentores de lixo indiferenciado. Apesar das dificuldades, o presidente considera inevitável reforçar a recolha selectiva de biorresíduos e defende também maior atenção à fiscalização e aos comportamentos dos utilizadores.


