Sociedade | 29-08-2026 10:00

Beatriz Morgado sofre de escoliose grave e precisa de tratamento que o Estado não comparticipa

Beatriz Morgado sofre de escoliose grave e precisa de tratamento que o Estado não comparticipa
Beatriz Morgado e os pais enfrentam um quotidiano marcado por cuidados permanentes e despesas elevadas - foto DR

Beatriz Morgado, 14 anos, enfrenta uma escoliose muito grave que a deixa completamente dependente dos pais. Agora, precisa de um tratamento essencial para lhe tirar a dor e evitar complicações mais graves na coluna e órgãos internos. O tratamento é demasiado pesado para a economia familiar e o Estado não o comparticipa.

O nascimento de Beatriz Morgado foi normal, apesar da hemorragia que teve. Pelo menos foi isso que os médicos disseram. Mas aos cinco meses os pais, residentes em Vila Nova da Barquinha, começaram a notar que não estava tudo bem com a Beatriz: não ficava sentada sozinha, estava sempre muito rígida e engasgava-se muito com o biberão. Só agora, depois de 14 anos de vida e infindáveis idas a fisioterapeutas, pediatras e neuropediatras é que recebeu o diagnóstico de escoliose. “O nosso mundo desabou, não tínhamos ideia nenhuma da dimensão do que estávamos a enfrentar, nem por onde começar”, desabafa a mãe da Beatriz, Zélia Galvão.
Aos 2 anos, Beatriz começou a fazer tratamentos intensivos em Espinho e começou a ter melhorias. Começou por ficar sentada sozinha, conseguia segurar a cabeça, andar de andarilho, entre outras conquistas. Beatriz colocou também um electroestimulador no cérebro, o que supostamente faria com que pudesse utilizar livremente os braços, algo que ainda não aconteceu. Há alguns meses, caiu e o electroestimulador entrou em curto-circuito. O incidente provocou-lhe crises espásticas diárias. Quanto mais cresce, mais se agrava a escoliose e tem muitas dores ao ficar sentada.
A escola de Beatriz, sem assistente operacional, terminava às 14h00, por isso durante toda a tarde não tinha onde ficar. Por essa razão, a mãe deixou o trabalho para cuidar da filha a tempo inteiro. O pai, Nuno Morgado, é assistente operacional em Tomar e tornou-se assim a única fonte de rendimentos da família. Com o orçamento familiar apertado, é impossível para a família suportar os custos de um conjunto de tratamentos, de nome Therasuit, essencial para a melhoria da qualidade de vida da Beatriz.
O Therasuit é um tratamento intensivo, de 8 horas, que consiste em fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, terapia respiratória, osteopatia, ozonoterapia e Padovan. O custo é de 5.008 euros. O tratamento tira muitas dores e ajuda na coordenação da respiração e na fala. Há sinais de melhoras e Beatriz sente menos dores, tanto nas costas como nas articulações. Esta doença, no caso da Beatriz, comprimiu os seus órgãos internos e agravou a disfagia, provocando graves episódios de engasgamento. O tratamento para aligeirar a escoliose torna a vida mais fácil e tolerável, não só para Beatriz como para os seus pais.

Falta apoio nas escolas
A mãe da Beatriz descreveu-nos o percurso da família, que tem sido feito quase sempre de consultório em consultório. Zélia Galvão desabafou sobre o papel que o Estado português tem vindo a desempenhar ao longo destes anos. Segundo a mãe de Beatriz, as escolas deveriam ter mais assistentes operacionais para ajudar as crianças com necessidades especiais. Outra falha apontada é a da carência de terapias financiadas pelo Estado. O Therasuit, por exemplo, não é comparticipado, representando um encargo que a família tem de carregar a 100%. A Segurança Social, por outro lado, já apoiou a Beatriz com vários produtos solicitados pelos pais.

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