Descargas em ribeira de suiniculturas deixam cheiro nauseabundo em Azambuja
Maus cheiros na ribeira do Valverde, um problema que se arrasta há anos em Azambuja e que tem sido associado à actividade das suiniculturas, estão de volta. Presidente da câmara garante que alerta as entidades fiscalizadoras sempre que recebe denúncias mas o problema persiste.
A poluição na ribeira do Valverde, que atravessa a vila de Azambuja, é um problema antigo que continua por resolver e que voltou à discussão numa reunião da câmara municipal por causa dos maus cheiros que se têm feito sentir nas últimas semanas. A situação torna-se particularmente incómoda na entrada sul da vila, onde existe uma superfície comercial. “A ribeira do Valverde está novamente com maus cheiros. As suiniculturas podem existir, mas ao menos tratem os esgotos, porque temos actividade económica de alimentação junto à ribeira e não faz sentido termos aquele pivete ali”, afirmou o munícipe António Pires na última reunião do executivo da Câmara de Azambuja, considerando que a situação demonstra uma falta de “respeito pela população”. O munícipe disse ser “incrível” que continuem a correr para a ribeira águas com um odor que descreveu como sendo de “estrume de porco” e defendeu ainda que, se a fiscalização do SEPNA não estiver a conseguir resolver o problema, “tem de haver uma solução” que ponha termo a uma situação que se repete há vários anos.
Há vários anos que moradores e comerciantes se queixam da poluição causada pelos efluentes e pelos maus odores, sendo a actividade das suiniculturas apontada como uma das principais causas. Munícipes têm alertado o município e pedido uma intervenção junto das suiniculturas. O caso também já chegou às autoridades que, tal como O MIRANTE deu nota, chegaram a notificar uma exploração pecuária devido a descargas ilegais para a ribeira, e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo pela Junta de Azambuja que enviou, em 2023, documentação sobre as condições ambientais da ribeira. Na altura eram referidas queixas de poluição da água, maus cheiros e coloração castanha ou preta, sobretudo durante a noite e em períodos de maior pluviosidade.
Explorações multadas mas problema persiste
O presidente do município, Silvino Lúcio garantiu que actua sempre que toma conhecimento de situações anómalas. “Cada vez que temos conhecimento dessas situações, os proprietários daquela indústria sabem bem que têm de cuidar dos seus efluentes”, afirmou, acrescentando que qualquer descarga em condições excepcionais terá, segundo a informação de que dispõe, de ser devidamente autorizada pelas entidades competentes, nomeadamente pela Agência Portuguesa do Ambiente. Silvino Lúcio reconheceu, no entanto, que as acções de fiscalização e as sanções aplicadas até agora não foram suficientes para acabar com o problema. “Já foram multados uma vez ou duas, mas as multas devem compensar essa situação”, afirmou o autarca, deixando implícita a pouca eficácia das penalizações em impedir a repetição dos episódios denunciados pela população.
O MIRANTE contactou o SEPNA para obter esclarecimentos sobre as denúncias relacionadas com a Ribeira do Valverde, nomeadamente sobre eventuais acções de fiscalização e processos levantados às explorações pecuárias daquela zona, mas não obteve resposta até à data de fecho desta edição.


