Sociedade | 30-08-2026 18:00

Distrito de Santarém soma meio milhar de incêndios mas concelhos não entram na lista dos mais castigados do país

Distrito de Santarém soma meio milhar de incêndios mas concelhos não entram na lista dos mais castigados do país
Apesar das centenas de ocorrências registadas, a área ardida no distrito representa apenas cerca de 0,5% do total nacional - foto arquivo O MIRANTE

Os 21 concelhos do distrito de Santarém registaram, no conjunto, 456 incêndios rurais entre 1 de Janeiro e 15 de Agosto, responsáveis por 286 hectares de área ardida. Apesar do número expressivo de ocorrências, nenhum município do distrito surge entre os 20 concelhos do país com mais incêndios ou entre os 20 com maior área queimada.

O distrito de Santarém contabilizou 456 incêndios rurais desde o início do ano até 15 de Agosto, segundo o relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As chamas consumiram 286 hectares, dos quais 122 em povoamentos florestais, 66 em matos e 98 em terrenos agrícolas. O distrito representa cerca de 7% das ocorrências registadas em Portugal Continental, mas apenas cerca de 0,5% da área ardida nacional. Os dados abrangem os 21 concelhos do distrito: Abrantes, Alcanena, Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Mação, Ourém, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
O relatório do ICNF não apresenta, no entanto, os números individualizados de ocorrências e área ardida para cada um destes municípios. A análise por concelho é limitada às listas dos 20 municípios portugueses com maior número de incêndios e dos 20 com maior extensão de área queimada. O dado mais significativo para o distrito é a ausência de qualquer um dos seus 21 concelhos nessas duas tabelas, num ano marcado por grandes incêndios sobretudo no Norte e Centro do país.
A realidade regional mostra também diferenças entre os territórios onde se inserem os municípios ribatejanos. A Lezíria do Tejo registou 263 incêndios e 202 hectares ardidos, dos quais 107 hectares de povoamentos, 20 de matos e 75 de área agrícola. No Médio Tejo foram contabilizados 209 incêndios, mas a área atingida ficou pelos 86 hectares, com 15 hectares de povoamentos, 47 de matos e 24 de terrenos agrícolas. Estes valores são referentes às regiões NUTS III e não correspondem exactamente aos limites administrativos do distrito. A comparação com o resto do país evidencia a dimensão relativamente reduzida dos estragos no distrito de Santarém. Vila Real lidera a área ardida com 13.562 hectares, seguindo-se Bragança, com 9.909, Viseu, com 8.325, Aveiro, com 6.774, e Guarda, com 6.419 hectares.
Até 15 de Agosto, Portugal Continental contabilizava 6.388 incêndios rurais e 56.586 hectares de área ardida. Em relação à média dos dez anos anteriores, ocorreram menos 9% de incêndios e arderam menos 28% de hectares. Ainda assim, 2026 apresenta o sexto valor mais elevado de ocorrências e o quinto maior valor de área ardida desde 2016. Outro indicador revela a concentração dos prejuízos nos grandes fogos: apenas 52 incêndios com mais de 100 hectares foram responsáveis por 45.667 hectares, cerca de 81% de toda a área ardida no país. Seis ultrapassaram os mil hectares. Em sentido contrário, 82% das ocorrências nacionais ficaram abaixo de um hectare. Julho foi o mês mais crítico, com 1.618 incêndios e 36.956 hectares queimados, correspondentes a 65% da área ardida desde o início do ano. Quanto às causas já apuradas, destacam-se as queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas, responsáveis por 21% dos casos investigados com causa determinada, seguindo-se o incendiarismo imputável, com 17%. As várias formas de queimas e queimadas representam, no conjunto, 37% das causas identificadas.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias