Moradores voltam a queixar-se de maus cheiros de vacaria entre Alcanena e Vila Moreira
Segundo a Câmara de Alcanena, a exploração pecuária está a tratar de processos de licenciamento junto do município, com a autarquia a acompanhar a situação.
Os maus cheiros provenientes de uma vacaria localizada entre Alcanena e Vila Moreira voltaram a ser motivo de queixa por parte de moradores. A Câmara de Alcanena garante que continua a acompanhar a situação e que alguns processos de licenciamento da exploração estão em análise.
Paulo Lopes, residente em Vila Moreira, denunciou a O MIRANTE o “cheiro nauseabundo” que diz estar a suportar nas últimas semanas, afirmando que todos os anos “o cheiro é insuportável”, sobretudo no Verão. Segundo o morador, o odor não afecta apenas Vila Moreira, sendo também sentido em algumas zonas de Alcanena, especialmente de manhã cedo e ao final da tarde. “Às vezes o mau cheiro é um bocado esporádico, mas de manhã é quando é pior. Quando a minha mulher vai a caminho do trabalho até já lhe deu enjoos, tal é o cheiro”, afirmou.
O munícipe questiona ainda a situação do licenciamento da exploração, alegando que a vacaria teria licença para 300 animais, mas actualmente terá cerca de 600. Paulo Lopes diz já ter reportado a situação à câmara noutras ocasiões, mas considera que “ninguém faz nada”. Salienta também que, habitualmente, em Setembro e Outubro, é espalhado estrume nas terras, o que considera contribuir para o agravamento dos maus cheiros.
O MIRANTE esteve no local e confirmou o mau cheiro, tendo também ouvido moradores de Vila Moreira, que dizem que a preocupação com a situação é partilhada por vários residentes. Nuno Luís, proprietário do café Quiosque da Lulu, confirmou que, em Maio, chegou a ser lançado um abaixo-assinado que reuniu, segundo afirma, cerca de 60 assinaturas. O morador alega ainda que os panfletos, que estavam afixados em vários pontos da vila, terão sido retirados.
Em 2025, o problema também foi levado à Assembleia Municipal de Alcanena por Moisés Sousa, residente em Vila Moreira, tendo na altura o presidente da câmara, Rui Anastácio, reconhecido a situação e revelado que o município tinha até realizado uma vistoria à exploração, sobre o cumprimento do licenciamento de quantidade de gado existente. Na ocasião, o vereador do Ambiente, Nuno Silva, explicou ainda que a câmara contactou a empresa responsável pela vacaria, tendo sido identificadas situações que necessitavam de regularização e licenciamento, sendo também exigidas medidas para reduzir os odores, sobretudo nos períodos de maior calor.
Questionado agora sobre a evolução do processo, o vereador Nuno Silva confirmou a O MIRANTE que a exploração já entregou a documentação que estava a ser aguardada e que está actualmente a tratar de processos de licenciamento junto do município. “Entretanto eles apresentaram os documentos e o processo está em análise”, explicou, acrescentando que a fiscalização municipal continua a acompanhar a situação, incluindo os espalhamentos de estrume.


