Sociedade | 31-08-2026 07:00

Projecto turístico de luxo junto à albufeira divide opiniões em Tomar

Projecto turístico de luxo junto à albufeira divide opiniões em Tomar
Empreendimento contempla 193 propriedades junto à albufeira de Castelo de Bode - Foto ilustrativa

Projecto turístico previsto para a Serra voltou a ser alvo de críticas numa reunião do executivo. Munícipe alerta para impactos ambientais e custos para o concelho, enquanto a vice-presidente Célia Bonet garante que a autarquia está vinculada ao plano aprovado e não pode impedir o empreendimento se forem cumpridas todas as regras.

A construção de um resort de luxo junto à albufeira de Castelo de Bode continua a levantar contestação em Tomar. Anatércia Rodrigues Lopes levou o assunto à reunião de câmara de 10 de Agosto, onde acusou os partidos de “menosprezarem o património natural do concelho” e manifestou preocupação com os impactos ambientais e financeiros de um empreendimento que prevê 316 unidades de alojamento turístico. O projecto, conhecido como Amara Village, está previsto para a zona da Serra, junto à albufeira, e contempla vários aldeamentos turísticos. Anatércia Lopes classificou o investimento como “potencialmente perigoso” e alertou para o facto de, segundo os documentos públicos que consultou, os promotores ainda não serem proprietários da totalidade dos terrenos envolvidos. A munícipe quis também saber quanto poderá custar aos tomarenses a construção e reforço das infraestruturas necessárias ao empreendimento, nomeadamente acessos, abastecimento de água, redes de saneamento e uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). “Quanto custará aos tomarenses a instalação da futura Amara Village?”, questionou.
A engenheira Susana Pereira, da Câmara de Tomar, explicou que o município poderá vir a ter encargos relacionados com acessos, mas adiantou que ainda não é possível quantificá-los. Sublinhou que uma parte significativa das infraestruturas ficará a cargo de outras entidades, nomeadamente a Águas do Vale do Tejo, no caso da ETAR, e a Tejo Ambiente, relativamente às redes. A questão ganha particular relevância numa freguesia onde persistem problemas nas redes de abastecimento de água e saneamento. Há zonas da Serra com condutas degradadas, falhas recorrentes no fornecimento de água e locais que continuam sem ligação à rede de esgotos.

Autarquia diz que não pode travar projecto que cumpra a lei
A vice-presidente da Câmara de Tomar, Célia Bonet, respondeu às críticas lembrando que o Plano de Pormenor aprovado em 2011 já prevê utilização turística para aquela área e que, durante o respectivo processo, foram consultadas as entidades exigidas por lei. “Se está no plano de pormenor, é viável”, afirmou, acrescentando que o loteamento foi deferido em Agosto de 2025 e que o requerente pagou taxas superiores a 600 mil euros. Célia Bonet esclareceu, contudo, que o projecto de construção propriamente dito ainda não deu entrada na Câmara de Tomar. O promotor dispõe, nesta fase, de autorização para avançar com infraestruturas. “Se o terreno tem dono e se o requerente cumprir as regras, o município não pode impedir o projecto”, frisou. Susana Pereira explicou que o empreendimento aprovado para Vila Nova da Serra contempla 316 unidades de alojamento distribuídas por três núcleos, correspondendo cada um deles a um aldeamento turístico de quatro estrelas. Segundo a técnica municipal, o reforço das infraestruturas de abastecimento de água fora da área abrangida pelo plano de pormenor está previsto num contrato de urbanização assinado em 2013.

ETAR deverá servir uma área superior à do resort
A localização e dimensionamento da futura ETAR estão a ser estudados pela Águas do Vale do Tejo, Tejo Ambiente e Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O objectivo, explicou Susana Pereira, é que a infraestrutura possa receber águas residuais domésticas provenientes de uma área bastante mais vasta do que apenas a ocupada pelo empreendimento turístico. A engenheira garantiu que a Câmara de Tomar está a cumprir a legislação e o plano de pormenor em vigor e que mantém articulação com as entidades responsáveis pelas questões ambientais. Sobre as preocupações levantadas a partir de declarações dos promotores numa reportagem, nomeadamente quanto a eventuais limitações de acesso ao espaço e à intenção de captar residentes ou visitantes com maior poder económico, Susana Pereira considerou que, para a análise municipal, o que conta são os instrumentos de ordenamento e o projecto que vier formalmente a ser apresentado. Anatércia Lopes questionou ainda se, passados mais de dez anos desde a aprovação do plano de pormenor, não faria sentido proceder à sua revisão. Susana Pereira respondeu que o processo é juridicamente complexo e sustentou que os direitos entretanto adquiridos pelo promotor impedem a autarquia de simplesmente refazer o plano para inviabilizar o empreendimento.

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