Sociedade | 01-09-2026 07:00

Bombeiros de Almeirim dão lucro com subsídios da câmara a triplicarem

Bombeiros de Almeirim dão lucro com subsídios da câmara a triplicarem

A corporação de base voluntária fechou 2025 com um saldo positivo de 58 mil euros, num ano marcado pelo aumento histórico dos subsídios municipais, que se situaram em mais de meio milhão de euros. O apoio autárquico subiu 268% entre 2014 e 2025, período em que Pedro Ribeiro acumulou a presidência dos bombeiros com a liderança da Câmara de Almeirim, o que se explica pela aposta na maior capacidade de socorro.

Os Bombeiros de Almeirim fecharam o ano de 2025 com um saldo positivo de 58 mil euros, num exercício marcado por um aumento dos subsídios municipais, que praticamente triplicaram na última década. Em 2014, a autarquia atribuía 110 mil euros para gestão corrente e 50 mil euros para gasóleo. Em 2021, o apoio já rondava os 390 mil euros. Em 2024, atingiu 580.964 euros, e em 2025 subiu para 590.054 euros. Ou seja, os apoios municipais quase triplicaram desde 2014, representando um aumento de cerca de 180% ao longo da década. Esta trajectória coincide com os anos em que Pedro Ribeiro liderou simultaneamente a corporação e o município. Mas o ex-autarca explica que a corporação tem mais funcionários e tem mais custos com o socorro.
Pedro Ribeiro, que continua a presidir à corporação, explica a O MIRANTE que o reforço das verbas se deve sobretudo à opção tomada após a Covid-19: a corporação decidiu dar prioridade ao socorro, reduzindo o transporte de doentes não urgentes, o que aumentou os custos operacionais e obrigou a autarquia a reforçar o financiamento. O dirigente sublinha que o que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) paga não cobre os custos, lembrando que são os bombeiros que suportam consumíveis, manutenção e até a compra das ambulâncias.
O presidente dos bombeiros fala ainda no aumento do preço dos combustíveis e destaca que a associação humanitária passou de 28 funcionários em 2021 para 39 em 2025. O corpo de bombeiros tem geralmente três ambulâncias de socorro disponíveis e faz mais de duas centenas de emergências por mês, tendo ultrapassado as 300 em Julho. Com rendimentos totais de 1,62 milhões de euros e despesas de 1,53 milhões, os bombeiros apresentaram contas equilibradas, sustentadas sobretudo pelos 1,2 milhões de euros provenientes de subsídios, doações e legados. A Autoridade Nacional de Protecção Civil contribuiu com 353 mil euros e o INEM com 258 mil euros relativos às taxas de saídas.
Do lado das receitas próprias, os bombeiros arrecadaram 352.229 euros, com o transporte de doentes a gerar 258.880 euros, seguido das quotizações dos associados (41.981 euros) e da actividade de restauração (29.870 euros). As despesas continuam fortemente marcadas pelos custos com pessoal, que atingiram 1,09 milhões de euros, incluindo 884 mil euros em remunerações e 151 mil euros em encargos sociais. Os fornecimentos e serviços externos somaram 395 mil euros, com destaque para combustíveis, manutenção de viaturas e materiais de primeiros socorros.
A associação investiu ainda 105 mil euros em activos fixos, incluindo duas viaturas novas e um aparelho de ar condicionado. No final de 2025, a tesouraria apresentava 142 mil euros, acima dos 108 mil euros registados no início do ano, confirmando a estabilidade financeira da corporação num ano em que o reforço dos apoios municipais foi determinante para o resultado positivo.

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