Santarém atribui Chave d’Ouro da Cidade a Celestino Graça
Celestino Graça vai ser distinguido, a título póstumo, com a Chave d’Ouro da Cidade de Santarém, a mais alta distinção concedida pelo município, até agora só atribuída ao Capitão de Abril Fernando Salgueiro Maia e ao historiador Joaquim Veríssimo Serrão.
A Câmara Municipal de Santarém vai atribuir a Chave d’Ouro da Cidade, a título póstumo, a Celestino Graça. A homenagem vai acontecer no próximo feriado municipal, no dia 19 de Março de 2027, reconhecendo assim o percurso de vida de “uma das figuras mais marcantes da história cultural e social de Santarém e do Ribatejo”.
A novidade foi deixada pelo presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), durante o jantar de recepção aos grupos estrangeiros que participam durante esta semana em Santarém na 65.ª edição do Festival Celestino Graça - que Celestino Graça ajudou a nascer e que é organizado pelo Grupo Académico de Danças Ribatejanas, de que também foi fundador.
Segundo nota do município, a proposta foi acolhida por todos os membros do executivo camarário e coloca Celestino Graça entre as personalidades distinguidas com a mais elevada condecoração do Município, juntando-se a Salgueiro Maia e Veríssimo Serrão. “Será Santarém a dizer-lhe obrigado. Obrigado pela visão, pela obra e pelo legado”, declarou João Leite, acrescentando que “alar de Celestino Graça é falar de Santarém, é falar do Ribatejo, é falar daquilo que somos, das nossas raízes, da nossa cultura e da nossa identidade”.
Celestino Graça foi um dos grandes impulsionadores da Feira do Ribatejo, cuja primeira edição se realizou em 1954. O certame viria a evoluir e a transformar-se na Feira Nacional de Agricultura. A Celestino Graça teve também acção determinante na promoção do folclore e da cultura popular ribatejana. Fundou e dinamizou grupos folclóricos e etnográficos e dedicou uma parte significativa da sua vida ao estudo, preservação e divulgação das tradições da região. As danças, os trajes e a música ribatejana foram, através do seu trabalho, apresentados em diferentes pontos do país e além-fronteiras, refere ainda a autarquia. Celestino Graça esteve também na génese da actual Praça de Touros de Santarém, que tem o seu nome, inaugurada em 1964.
Para João Leite, a dimensão de Celestino Graça mede-se também pela capacidade de transformar uma visão em projectos concretos e duradouros. “Mas, acima de tudo, Celestino Graça teve uma qualidade que distingue os homens verdadeiramente grandes: sonhou Santarém maior do que a encontrou e teve a coragem de transformar esses sonhos em realidade”, sublinhou o presidente da câmara.


