Sociedade | 03-09-2026 21:00

Professora denuncia ilegalidades em Agrupamento de Escolas do Cartaxo mas antigo director afirma que foi tudo resolvido

Professora denuncia ilegalidades em Agrupamento de Escolas do Cartaxo mas antigo director afirma que foi tudo resolvido
Jorge Tavares liderou durante vários anos o Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, no Cartaxo - foto O MIRANTE

A professora Marta Pinheiro alega haver ilegalidades na contratação de docentes, composição do Conselho Geral e métodos de avaliação de um professor de Educação Física no Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, sediado no Cartaxo. O caso foi exposto em assembleia municipal. Antigo director do agrupamento, que deixou recentemente o cargo, diz que situações identificadas e reportadas foram, entretanto, corrigidas.

A Assembleia Municipal do Cartaxo ouviu, em sessão extraordinária, a encarregada de educação e professora do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, Marta Pinheiro, denunciar o que considera serem várias irregularidades no processo de avaliação da filha em Educação Física, na contratação de docentes e na composição do Conselho Geral do agrupamento, sediado no Cartaxo.
A professora começou por relatar o caso da filha, aluna do 11º ano, que tinha um atestado médico que a impedia de realizar determinadas actividades físicas. Segundo Marta Pinheiro, o professor de Educação Física decidiu que seria avaliada através de trabalhos, mas que não foram dadas orientações nem comunicados os critérios aplicados. A mãe questionou a forma como foram atribuídas as classificações posteriormente e afirmou ainda que a filha terá sido alvo de comentários inadequados por parte do docente. Após pedir a revisão da classificação da filha, a professora afirma que a nota subiu três valores, considerando que a alteração veio dar razão às dúvidas levantadas.
Marta Pinheiro falou ainda em alegadas condutas “impróprias” de professores de Educação Física. Uma das acusações mais graves da professora incidiu, contudo, sobre listas de contratação em que candidatos terão apresentado declarações falsas sobre as suas habilitações e ilegalidades na composição do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas. Marta Pinheiro alegou que existiam membros do Conselho Geral que acumulavam funções com cargos de coordenação ou de assessoria da direcção, apontando o caso da presidente do órgão, que terá acumulado durante anos a presidência com funções de coordenadora de estabelecimento.

Director diz que irregularidades foram sanadas
Questionado por O MIRANTE, o director do agrupamento à época, Jorge Tavares, que recentemente deixou o cargo e foi eleito director do vizinho Agrupamento de Escolas de Pontével, confirmou que foi identificada uma irregularidade com uma docente que tinha “habilitação para a docência, mas não possuía habilitação profissional”. Segundo explicou, a professora terá indicado erradamente, num primeiro concurso, que tinha habilitação profissional. O director considerou que terá sido um erro da docente por ser “nova” na área, e adiantou que, assim que a situação foi detectada, a situação foi corrigida e tratada. Afirmou ainda que, além desse caso, não foram identificadas outras declarações falsas de docentes.
Relativamente ao Conselho Geral, Jorge Tavares confirmou que a presidente acumulava funções, mas afirmou que esta já deixou o cargo de coordenadora de estabelecimento, depois de a ilegalidade ter sido detectada. Em relação às alegadas condutas “impróprias” de professores de Educação Física, garantiu que não recebeu qualquer queixa formal de qualquer professor. “Obviamente que, numa situação dessas, se tivesse uma queixa, automaticamente teria que agir, mas nunca recebemos queixas de comportamentos inadequados de professores”, sublinhou, acrescentando que a questão da avaliação da aluna em questão foi resolvida com o pedido de revisão da nota, no qual se deu razão à encarregada de educação.
Na assembleia municipal, as alegações foram recebidas com preocupação pelas várias bancadas, que manifestaram solidariedade para com a professora e defenderam que as situações devem ser analisadas. O presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor (PSD), considerou as acusações “chocantes” e garantiu que o município irá procurar esclarecer as situações denunciadas.

Jorge Tavares troca direcção do Agrupamento do Cartaxo por Pontével

Jorge Tavares deixou a presidência da direcção do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, no Cartaxo, para a qual tinha sido reconduzido em 2025 por mais quatro anos. O antigo director foi eleito a 24 de Julho deste ano para dirigir o Agrupamento de Escolas D. Sancho I, em Pontével. Em declarações a O MIRANTE, Jorge Tavares rejeita que a mudança esteja relacionada com as acusações apresentadas pela professora Marta Pinheiro e explicou que foi contactado pelo Agrupamento de Pontével para o cargo, tendo decidido candidatar-se por considerar que poderia contribuir para o “desenvolvimento do agrupamento”. “As queixas que recebemos foram resolvidas e tratadas, então nada me impede de continuar a levar a cabo as minhas funções”, sublinhou.
O Agrupamento Marcelino Mesquita terá agora de realizar novas eleições para escolher o director e, durante o período de transição, as competências da direcção ficam asseguradas pelo subdirector, Ricardo Monteiro.

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