Sociedade | 04-09-2026 17:41

Mação procura respostas para travar presença de javalis nas aldeias

Mação procura respostas para travar presença de javalis nas aldeias
foto ilustrativa

Javalis têm entrado nas aldeias do concelho de Mação, destruindo pequenas culturas e provocado danos em património municipal, existindo também registo de acidentes rodoviários envolvendo os animais.

A Câmara de Mação vai reunir-se com o ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e as associações de caçadores do concelho para procurar uma resposta à presença crescente de javalis nas aldeias e aos prejuízos provocados pelos animais, disse o presidente da câmara. Questionado sobre as localidades afectadas pela presença de javalis, José Fernando Martins (PS) disse que o problema abrange todo o concelho. “De maneira geral, têm sido todas as localidades do concelho. Os relatos que nos chegam são mais de um lado e menos do outro, mas são mais ou menos uniformes em todo o concelho”, afirmou à Lusa.

Segundo o presidente da Câmara de Mação, os javalis têm entrado nas aldeias, destruído pequenas culturas e provocado danos em património municipal, existindo também registo de acidentes rodoviários envolvendo os animais. A autarquia marcou para 11 de Setembro uma reunião com as cinco associações de caçadores do concelho, à qual deverá juntar-se o ICNF.

A câmara já tinha anunciado a intenção de discutir com as associações de caçadores formas de controlar a população de javalis e procurar uma resposta que abranja todo o território concelhio. Questionado sobre a evolução da situação, José Fernando Martins disse que os problemas provocados pelos animais não são novos, mas existe a percepção de que o número de javalis tem aumentado de ano para ano.

O autarca associou também a maior presença nas localidades ao progressivo abandono das terras agrícolas, que reduziu as fontes de alimento disponíveis em zonas mais afastadas das habitações. “Antes viviam em 400 quilómetros quadrados, que é o território do concelho, e esses 400 quilómetros quadrados tinham muita agricultura, tinham muita comida”, explicou. Com menos terrenos cultivados, acrescentou, as culturas concentram-se actualmente junto às localidades, levando os animais a aproximarem-se das casas em busca de alimento. “Os javalis entram na aldeia, vão junto dos contentores do lixo, vão às hortas das pessoas junto das aldeias”, afirmou.

O autarca disse não ter conhecimento de ataques a pessoas, mas relatou danos em muros e outras estruturas e situações que podem dificultar a circulação rodoviária, além de acidentes provocados por animais que atravessam as estradas durante a noite. “É isto também que temos de tentar a todo o custo impedir”, afirmou, defendendo a necessidade de reduzir a densidade de javalis no território.

Enquanto não é definida uma estratégia, a câmara apelou à população para não alimentar os animais e manter lixo e restos de comida devidamente acondicionados nos contentores. “Quanto mais dentro das aldeias estiverem, quanto mais próximo das casas estiverem, mais perigosos se podem tornar”, alertou.

A problemática dos javalis tem sido sinalizada há vários anos na região, com agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação a relatarem prejuízos em culturas agrícolas e pequenas hortas. O ICNF admite que a população de javalis ronde atualmente os 300 mil animais em Portugal continental.

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