Sociedade | 04-09-2026 10:00

Refúgio Vital alerta que canil de Benavente está completamente sobrelotado

CAO CAOES ANIMAIS ANIMAL
Foto ilustrativa

Dez anos depois da aprovação da lei que pôs fim ao abate de animais errantes como forma de controlo populacional, associação de defesa animal de Benavente considera positiva a mudança, mas alerta que a falta de capacidade dos centros de recolha e o abandono continuam a pressionar estruturas públicas e associações.

O fim do abate de animais saudáveis nos canis foi uma mudança necessária, mas não foi acompanhado, em todos os casos, pelo investimento necessário para acolher os animais abandonados. O alerta é da associação Refúgio Vital, de Benavente, cuja presidente, Cátia Gonçalves, considera que o Centro de Recolha Oficial (CRO) do concelho já não tem capacidade suficiente para responder às necessidades. “Antigamente abatia-se tudo. Muitas vezes, ao fim de 15 dias, se o cão não tivesse adopção, a resolução dos canis era abater. Não deve ser assim. Deve-se fazer o que actualmente estão a fazer, que é esterilizar e promover as adopções”, afirmou.
Segundo a responsável, o problema não está no princípio do chamado “abate zero”, mas na falta de capacidade criada para responder à nova realidade. O fim do abate obrigou os centros de recolha a manter os animais durante mais tempo, sem que todos os municípios tenham acompanhado a alteração com investimentos nas instalações. Em Benavente, Cátia Gonçalves é taxativa. “O canil está completamente abarrotado”. Durante o Verão, acrescentou, chegam a ser utilizados espaços destinados a enfermaria para alojar animais recolhidos.
O abandono é apontado como uma das principais causas da entrada de cães e gatos nos centros de recolha e tende a agravar-se durante o período de férias. “Não há semana nenhuma que não recebam um animal”, referiu, contrapondo com os meses de Inverno, quando os registos tendem a ser inferiores.
A presidente da associação Refúgio Vital considera que a Câmara de Benavente não conseguiu acompanhar as exigências colocadas aos CRO. Como termo de comparação, aponta Vila Franca de Xira, onde diz terem existido anteriormente condições piores. “A diferença foi que a câmara investiu no canil, foi buscar os fundos que estavam destinados a isso e criou um gatil e um canil com condições”, afirmou.

Esterilização como resposta
A esterilização continua a ser apontada pela associação como uma das principais formas de controlar a população animal. Cátia Gonçalves recorda os resultados obtidos com o programa CED - Captura, Esterilização e Devolução - dirigido às colónias de gatos. “No ano em que tivemos o programa implementado, foi uma maravilha”, afirmou. Nesse período, a associação, habituada a recolher dezenas de crias, registou apenas duas ninhadas. A dirigente defende, por isso, maior apoio às campanhas de esterilização e alerta também para o peso dos custos veterinários, que representam um encargo elevado para particulares e associações.
As limitações de espaço não afectam apenas o CRO. O próprio Refúgio Vital dispõe de uma estrutura pequena, com apenas 10 boxes, o que condiciona a resposta aos pedidos de ajuda. A associação nasceu em 2017 com o objectivo de ajudar os animais do Canil Municipal de Benavente, mas, perante necessidades que considerou superiores à capacidade de resposta existente, acabou por criar instalações próprias. O espaço foi construído graças ao donativo de uma pessoa que financiou a obra.

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