Cidadão de Alcanena nega ter impedido entrada de fiscal municipal na sua propriedade
António Alexandre confrontou novamente o executivo camarário de Alcanena, desta vez a propósito de um ofício da câmara sobre um alegado impedimento de acesso da fiscalização municipal a uma sua propriedade. O munícipe garante que nunca impediu a entrada e aproveitou a intervenção para voltar a questionar a actuação da autarquia em conflitos com um vizinho.
O munícipe António Alexandre foi à reunião do executivo da Câmara de Alcanena contestar um ofício da autarquia em que se diz que um fiscal municipal teria sido impedido de entrar numa propriedade sua, na Rua Manuel de Arriaga. O cidadão garante que nunca impediu qualquer elemento da fiscalização de aceder ao local e considera grave que tenha sido transmitida uma versão diferente dos acontecimentos.
“Se tocarem à campainha ou baterem à porta e ninguém abrir, é uma coisa que pode acontecer, mas isso é diferente de impedir entrada”, afirmou, lembrando que já transmitiu várias vezes à câmara que está disponível para acompanhar os fiscais sempre que necessário. António Alexandre acrescenta que, noutras situações relacionadas com comunicações de obras, a fiscalização municipal o contactou previamente e que sempre acompanhou as visitas às propriedades. “É assim que deve ser e eu obedeço à lei e regulamentos”, defendeu.
Para o munícipe, o caso agora em discussão é “gravíssimo” e pode ter duas explicações: “ou o fiscal não esteve a fazer o seu trabalho e enganou os seus superiores, inventando que alguém o impediu; ou alguém anda a fazer-se passar por mim e impediu o acesso”. António Alexandre diz já ter pedido à câmara que identifique o fiscal envolvido, quem o terá impedido e em que circunstâncias, defendendo ainda que, sempre que exista fundamento legal para aceder a uma das suas propriedades, deve ser previamente contactado. “Peço que não demore o fornecimento destes dados, porque faço questão de esclarecer esta situação até às últimas consequências”, sublinhou.
António Alexandre aproveitou ainda a intervenção para voltar a questionar a actuação da Câmara de Alcanena em conflitos que mantém com um vizinho, alegando existir uma “relação imprópria” entre o vizinho e a autarquia. O munícipe recordou uma situação que afirma ter presenciado, em que dois funcionários da câmara, num veículo municipal, terão saído do quintal do vizinho com uma vassoura e um balde do lixo. Em declarações anteriores a O MIRANTE, António Alexandre já tinha relacionado o episódio com uma denúncia que diz ter apresentado em 2023 sobre alegadas alterações não licenciadas na habitação do vizinho. Em “2023 denunciei a existência de várias alterações não licenciadas na casa deste munícipe, que pelos vistos tem direito a que lhe varram o quintal, tendo até hoje essa denúncia sido ignorada”, afirmou.
O presidente da câmara de Alcanena, Rui Anastácio, limitou-se a tomar nota das questões apresentadas pelo munícipe, sem prestar esclarecimentos adicionais durante a reunião, algo que tem sido recorrente no que toca a queixas do munícipe em questão.


