População e oposição exigem variante à Passinha fora das localidades
O custo da construção da variante à Passinha está estimada em três milhões de euros, visando retirar a circulação de camiões do interior da localidade e melhorar o acesso à Zona Industrial do Carregado. Obra vai ser dividida em duas fases.
Vários moradores e os autarcas da oposição na Câmara de Alenquer pediram na última semana que a nova variante rodoviária à Passinha - afectada pela passagem quase constante de camiões rumo ao entreposto logístico da Santos e Vale - não atravesse o interior de outras aldeias, para resolver de uma vez por todas os transtornos criados à população com a circulação de camiões.
Um dos moradores dos Casais Novos já veio alertar que, após a construção das duas fases da variante, a norte o traçado vai obrigar a que na rotunda o trânsito siga em frente pela Avenida da Juventude, nessa localidade, para entrar no Itinerário Complementar (IC) 2, que permite o acesso às autoestradas A1 e A10. A via, diz, tem dezenas de saídas de garagens, não tem largura para dois camiões se cruzarem e há crianças a circular a pé para a escola, sublinhou. Outros moradores também já fizeram chegar à câmara preocupações com o eventual traçado da variante, lembrando que desviar os camiões de uma aldeia para divergir para a entrada de outras aldeias não resolve o problema.
Na última reunião de câmara em Alenquer, o vereador do PSD, Francisco Guerra, também afirmou que, apesar de se prever a construção de uma nova variante para desviar os camiões das localidades, os veículos “vão continuar a massacrar a população da Avenida da Juventude [Casais Novos] e da Rua do Batalheiro [Casal Machado]”. O social-democrata acusou a gestão socialista de “desprezo” pela forma como trata a qualidade de vida dos cidadãos.
“Não foi isto que ficou acordado. Custa-me que a população não possa ver aqui uma réstia de esperança. Em nada ajuda as pessoas que vivem na Passinha”, disse, por sua vez, o vereador independente Tiago Pedro.
Presidente garante variante fora de localidades
Na resposta, o presidente da câmara, João Nicolau (PS), esclareceu que, na última versão do Plano Director Municipal, que está para aprovação, e num estudo mais actual, a variante vai passar num troço paralelo à Avenida da Juventude e não nesta, garantindo o total desvio de camiões do centro das localidades com a nova variante. O autarca assegurou que, na Avenida da Juventude, a proibição de camiões à noite é para se manter e não haverá qualquer alteração ao sentido actual do trânsito.
O município de Alenquer, como O MIRANTE já tinha noticiado, deu a conhecer o traçado e o estudo prévio da nova variante no âmbito da discussão de um acordo com a empresa Santos e Vale - aprovado com três votos a favor do PS, três contra do PSD e Chega e uma abstenção do vereador independente - para a cedência de terreno e movimentação de terras para a variante.
Camiões não dão descanso às populações
O descontentamento popular com a passagem constante de camiões em zonas habitacionais começou primeiro com os residentes da Rua dos Bons Amigos, na Passinha, e estendeu-se aos da Rua do Batalheiro, em Casal Machado, e da Avenida da Juventude, que atravessa os Casais Novos e a Passinha. Todas estas são ruas estreitas. Os moradores da Passinha levaram em 2022 o caso a tribunal sem terem ganho a acção. Os camiões passaram a circular pela Rua do Batalheiro, em Casal Machado, e pela Avenida da Juventude, para desagrado dos residentes, tendo-lhes sido dada razão. Com a alteração os camiões voltaram a passar na Rua dos Bons Amigos na Passinha.
Variante vai custar 3 milhões
O custo da construção da variante está estimada em três milhões de euros, visando melhorar o acesso à Zona Industrial do Carregado, e vai ser dividida em duas fases: a primeira desde o entroncamento entre a Estrada da Torre até à intersecção com a Rua do Sol Nascente, onde arranca a segunda fase, que termina na Avenida da Juventude.


