Alcanena procura financiamento para dar novo destino às lamas da ETAR em alternativa ao aterro
Solução para o destino das lamas da ETAR de Alcanena pode passar pela secagem em detrimento da actual solução aterro, mas o município ainda aguarda financiamento. Já o projecto de afinação natural dos efluentes vai avançar através de candidatura ao programa LIFE.
A Câmara Municipal de Alcanena continua à procura de financiamento para avançar com a solução de secagem das lamas produzidas na ETAR (estação de tratamento de águas residuais) da vila, apontada como alternativa à deposição no actual aterro de lamas. A solução técnica já tinha sido identificada e o município tem aprovação para avançar com o encerramento parcial do aterro, mas a empreitada destinada a concretizar a nova solução ainda depende de financiamento.
A actualização foi dada a O MIRANTE por Nuno Silva, vice-presidente da Câmara de Alcanena e presidente do conselho de administração da empresa municipal Aquanena. Segundo o autarca, o município já tem aprovação para efectuar o encerramento parcial do aterro e está agora a procurar os meios financeiros necessários para, numa segunda fase, avançar com a empreitada.
Quanto ao investimento necessário, Nuno Silva diz que o valor ainda não está fechado, uma vez que dependerá da solução final e do processo de financiamento. O problema está relacionado com as lamas resultantes do tratamento dos efluentes na ETAR de Alcanena, que por conterem crómio utilizado na indústria de curtumes, não podem ser alvo de valorização agrícola e são actualmente encaminhadas para o Aterro Sanitário de Lamas de Alcanena.
Em paralelo, a Aquanena quer também implementar uma solução de base natural para a afinação final dos efluentes da ETAR, projecto que pretende melhorar o tratamento da água depois das etapas já realizadas na estação. O projecto-piloto tem vindo a ser estudado pela empresa municipal de águas e saneamento de Alcanena, adiantando Nuno Silva que está a ser preparada uma candidatura ao programa LIFE, instrumento financeiro da União Europeia para o ambiente e a acção climática, que deverá ser submetida este mês de Setembro. “Estamos a finalizar agora o processo para a candidatura, de forma a depois avançar com o projecto o mais breve possível”, sublinhou.
Recorde-se que a necessidade de encontrar uma alternativa ao aterro já vinha sendo apontada pelo município há vários anos, tendo em finais de 2024, o presidente da câmara, Rui Anastácio, reforçado que o destino das lamas é um dos problemas ambientais que permanecem por resolver no concelho. Na altura, o autarca defendeu a necessidade de encontrar “uma nova solução de desidratação” que permitisse dar às lamas um destino final diferente do aterro e, dessa forma, possibilitar o seu encerramento.


