Sociedade | 08-09-2026 11:30
Homem acusado de matar a companheira em Alenquer recusa falar em julgamento
foto ilustrativa - foto pexels
O homem, de 60 anos, e a vítima, mantinham uma relação desde finais de 2024 e pernoitavam na viatura do arguido. Em 2025 o homem matou a companheira.
O Tribunal de Loures iniciou na segunda-feira o julgamento de um homem em situação de sem-abrigo por homicídio qualificado da companheira em Alenquer, com o arguido a recusar prestar declarações.
O homem, de 60 anos, e a vítima, ambos estrangeiros, mantinham uma relação desde finais de 2024 e pernoitavam na viatura do arguido, vivendo em locais diferentes e sendo apoiados por instituições sociais, refere a acusação do Ministério Público (MP).
A 7 de Abril de 2025, quando se encontravam no veículo, começaram a discutir e o arguido apertou o pescoço da vítima “com força” até lhe provocar a morte.
Depois, abandonou o corpo embrulhado num cobertor a cem metros de uma gasolineira e espalhou os objetos pessoais da mulher na mata circundante, tendo-se ausentado para parte incerta e abandonado o país.
De acordo com o MP, o homem “previu, quis e conseguiu atingir de forma mortal a ofendida, deixando-a prostrada e inanimada na estrada, sem ajuda, e, seguidamente, prosseguir a sua marcha sem prestar socorro, sem providenciar pelo chamamento de auxílio ou verificar se alguém o fazia, indiferente ao destino da vítima”.
O corpo foi encontrado no dia seguinte, próximo da Estrada Nacional 1, nas Marés, em Abrigada.
Na primeira sessão do julgamento, os inspetores da Polícia Judiciária responsáveis pela investigação explicaram que, após o alerta da localização do corpo e da sua identificação, souberam que a vítima se encontrava em situação de sem-abrigo e recorria a várias instituições sociais, onde se deslocava na companhia do arguido, na mesma situação, e no veículo do homem.
Apesar de o arguido não aparecer nas imagens de videovigilância da gasolineira, surge parte do seu veículo e da respetiva matrícula, o que permitiu à PJ associá-lo ao crime.
O facto de a vítima ter guardado 900 euros em notas na roupa interior e ter anéis e um fio de ouro permitiu à PJ afastar a hipótese de roubo seguido de homicídio.
O arguido foi localizado uma semana depois do crime em Praga, da República Checa, onde foi detido a 20 de abril de 2025, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido no âmbito da investigação do homicídio da companheira.
Em Agosto de 2025, o alegado homicida foi extraditado para Portugal e presente a primeiro interrogatório judicial, ficando a aguardar julgamento em prisão preventiva.
O julgamento continua na próxima semana com a audição de mais testemunhas.
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