Festival de Gastronomia em Santarém motiva debate sobre custos, preços e restaurantes
A dificuldade em atrair restaurantes representativos das várias regiões e os preços praticados no festival de gastronomia mais antigo do país foram pontos focados durante o debate do preçário a aplicar na 45ª edição do evento que se realiza anualmente em Santarém.
O executivo da Câmara de Santarém aprovou o preçário e os documentos de apoio à organização da 45.ª edição do Festival Nacional de Gastronomia, que este ano decorre entre 22 de Outubro e 1 de Novembro, na Casa do Campino, em Santarém. A proposta inclui a definição dos preços aplicáveis aos diferentes sectores, bem como a aprovação do regulamento geral, normas de participação e fichas de inscrição destinadas aos expositores. Ficou a saber-se, por exemplo, que a entrada no evento continua a custar 2,5 euros ou que os restaurantes que vão ocupar as cavalariças 1 e 4 vão pagar 3.657 euros pela participação.
O MIRANTE pediu a documentação relativamente à proposta do preçário do Festival de Gastronomia, mas a autarquia limitou-se a enviar uma informação em que diz que “a aprovação destes documentos é necessária por não existirem na tabela municipal de taxas e preços valores específicos aplicáveis à realização do Festival Nacional de Gastronomia, permitindo assim garantir transparência, igualdade de acesso e uma adequada organização do certame”.
O vereador do Chega, Pedro Correia, levantou algumas questões relacionadas com os preços praticados no evento, sugerindo que fossem implementadas medidas de discriminação positiva para os visitantes que residam no concelho de Santarém, como a atribuição de vouchers para compras no comércio local, à semelhança do que acontece no Reino de Natal. Também questionou qual a receita prevista para a edição deste ano e alertou para a disparidade de preços entre expositores de alguns sectores de actividade, como o artesanato e os produtos regionais. O vice-presidente, Emanuel Campos (PSD), esclareceu que a tabela de preços baseia-se no histórico de edições anteriores.
Já o vereador Nuno Domingos (PS) defendeu uma reflexão sobre o evento – criado em 1981 com o objectivo de defender e promover a cozinha tradicional portuguesa - e repensar qual é o projecto do Festival Nacional de Gastronomia hoje. O evento foi pioneiro no país, mas actualmente há iniciativas semelhantes por todo o território nacional.
Dificuldade em atrair restaurantes cresce de ano para ano
O presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), concordou com a sugestão de Nuno Domingos, sublinhando que “o pai dos festivais de gastronomia do país” vai continuar a realizar-se em Santarém, com a introdução de novas dinâmicas e melhorias. Em relação aos preços praticados pelos restaurantes, referiu também os custos que acarreta a participação dos mesmos no evento, com a mobilização de recursos humanos e de equipamentos de vários pontos do país. “A dificuldade que hoje existe para podermos ter restaurantes representativos das várias regiões é factual e foi crescendo ano após ano”, afirmou.
Abertas pré-inscrições para espaços no Festival Nacional de Gastronomia
A Câmara de Santarém tem abertas as pré-inscrições para espaços comerciais na 45.ª edição do Festival Nacional de Gastronomia, que decorre entre 22 de Outubro e 1 de Novembro. Os interessados podem candidatar-se aos seguintes sectores de actividade: artesanato, agroalimentar, comercial, doçaria, fumeiros e street food. As pré-inscrições devem ser submetidas até dia 8 de Setembro, através do endereço de correio electrónico grandeseventos@cm-santarem.pt.


