NERSANT não explica vendas de património, liquidez mínima nem erros detectados nas contas
A Associação Empresarial da Região de Santarém depois de questionada duas vezes sobre as reservas do auditor, a dependência da venda de património e as incoerências detectadas no Relatório e Contas de 2025, respondeu a O MIRANTE com generalidades que não explicam os problemas. A direcção da Nersant não contraria nenhum dos factos revelados pelo jornal e optou por considerações vagas e defensivas.
Perante a insistência de O MIRANTE para obter mais informações da direcção da Associação Empresarial da Região de Santarém - NERSANT relativamente ao relatório de contas, a entidade enviou uma resposta que não esclarece concretamente nenhuma das questões. A associação optou por abordar de forma genérica as situações levantadas pelo jornal a 7 de Agosto, em que foram identificados problemas estruturais, dependência da venda de património, fragilidades de liquidez e incoerências no documento oficial.
A comunicação institucional, vaga e defensiva, que não enfrenta as reservas do auditor, não comenta os números críticos e não explica as incongruências detectadas no relatório. A posição global da NERSANT é a de que “não acompanha algumas das conclusões e interpretações” da notícia, mas não identifica quais, nem apresenta qualquer dado que contrarie a informação publicada, limitando-se a afirmar que a situação económica e financeira deve ser analisada “de forma global” e que o relatório foi aprovado em assembleia-geral.
O MIRANTE questionou directamente o presidente da direcção, Rui Serrano, sobre a opinião com reservas do revisor oficial de contas, a possibilidade de sobreavaliação de imóveis, os cerca de 310 mil euros em valores parados e de difícil recuperação, a liquidez imediata de 3,34%, o aumento de 33,79% nos gastos e de 57,6% nos fornecimentos e serviços externos, a ausência de plano para a NERVENTURE e os erros detectados no relatório, incluindo valores diferentes para o resultado líquido e percentagens invertidas. Nenhum destes pontos mereceu resposta concreta.
Na resposta, limitou-se a dizer que “tem vindo a prosseguir uma gestão orientada para a sustentabilidade económico-financeira, assente no acompanhamento rigoroso da estrutura de custos, na racionalização dos recursos, no reforço da actividade e na criação de valor para os associados e para a região”. E acrescenta que este foi um dos compromissos centrais assumidos pela nova direcção, eleita a 24 de Julho de 2026.
A Nersant não explica por que razão metade dos rendimentos de 2025 resultou de vendas de imóveis e porque a actividade operacional gerou fluxo negativo. E limita-se a dizer que “as operações de natureza patrimonial realizadas no exercício de 2025 se inserem numa estratégia de gestão e reorganização dos recursos da associação e, como tal, não devem ser avaliadas de forma isolada ou dissociadas da evolução global da instituição”. A resposta não comenta a liquidez mínima, não justifica o aumento abrupto das despesas e não aborda as incoerências detectadas no relatório. Opta, assim, por uma comunicação que não enfrenta os factos e não esclarece a comunidade empresarial da região.
À Margem
Presidente da Nersant faz-se de morto
A Nersant é uma associação de empresários com uma vida associativa que faz lembrar os tempos da outra senhora. Desde que Domingos Chambel tomou conta da Nersant que a associação não presta contas à comunicação social, embora seja raro o dia em que não enviam informação por correio electrónico procurando visibilidade para as suas iniciativas.
O MIRANTE publicou recentemente uma notícia que saiu da última assembleia geral, que merecia o contraditório, mas foi preciso insistirmos para mandar a sua secretária informar-nos que está tudo bem e que a associação persegue o seu caminho independentemente da opinião dos auditores e das dívidas que obrigam à venda de património. Caso para dizer que Rui Serrano ou não tem autorização de Domingos Chambel para falar com O MIRANTE ou é também daqueles dirigentes que gosta de se fazer de morto.


