Executivo de João Leite legaliza estação elevatória de Alcanhões ignorada por cinco presidentes
Legalização do terreno cedido por um proprietário para a construção da estação elevatória de esgotos da freguesia de Alcanhões encerra um caso que se tornou paradigmático da falta de resposta da administração municipal. A resolução do problema que causava constrangimentos ao proprietário, marca uma mudança de postura na Câmara de Santarém.
A Câmara de Santarém resolveu em menos de um ano um problema que esteve parado durante um quarto de século e atravessou cinco presidentes. A legalização do terreno onde está instalada a estação elevatória de Alcanhões, oferecido pelo proprietário Florentino Inês, foi concluída esta quarta-feira com a assinatura da escritura, cerca de dois meses depois de O MIRANTE ter noticiado a situação e exposto o impasse que se arrastava desde o início dos anos 2000. O actual executivo, liderado por João Leite, assumiu o caso como prioridade e encerrou um processo que nenhum dos anteriores autarcas conseguiu ou quis resolver.
A notícia de O MIRANTE, a 1 de Julho, revelava que estavam em causa 165 metros quadrados que tinham sido cedidos no mandato de José Miguel Noras, para permitir a construção da estação elevatória que serve a zona baixa da vila, bombeando os esgotos para a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), numa altura em que estes equipamentos eram uma prioridade do país. Mas o processo ficou por concluir e passou, sem solução, pelos mandatos de Rui Barreiro, Francisco Moita Flores e Ricardo Gonçalves. Durante todo esse período, o terreno nunca foi destacado, escriturado ou integrado no património municipal, apesar de a estação funcionar há décadas e ser essencial para o saneamento da freguesia.
A situação gerou constrangimentos ao proprietário, que não podia vender ou partilhar a restante área de meio hectare, e obrigava os serviços municipais a entrar pelo portão da propriedade sempre que era necessária intervenção, porque a autarquia nunca criou acesso próprio. O caso tornou-se um símbolo da inércia administrativa do município, acumulando pedidos de documentos, promessas e adiamentos sucessivos ao longo de 25 anos. Com a entrada do novo executivo, a resolução do assunto foi encarada de frente e a escritura foi realizada no dia 2 de Setembro, com a Câmara de Santarém a pagar cerca de 2.300 euros pela parcela. A resolução ocorreu um ano depois de João Leite ter assumido a presidência da autarquia.


