Novo incêndio no Eco Parque do Relvão mobiliza dezenas de bombeiros
Um incêndio de grandes proporções voltou a atingir este sábado o Eco Parque do Relvão, na Chamusca, mobilizando dezenas de bombeiros e reacendendo preocupações antigas sobre a segurança de um complexo que tem sido palco recorrente de fogos, acidentes e episódios ambientais. O novo incidente junta-se a um historial que, ao longo dos últimos anos, tem exposto fragilidades num dos principais pólos de tratamento de resíduos da região.
Um incêndio que deflagrou ao final da tarde deste sábado, 12 de Setembro, nas instalações de tratamento de resíduos da Resitejo/RSTJ voltou a colocar o Eco Parque do Relvão, na Chamusca, no centro das atenções. Cerca das 20h30 estavam mobilizados perto de 80 operacionais e 24 viaturas, num complexo marcado por um longo histórico de incêndios e ocorrências ambientais. O alerta para o incêndio foi dado cerca das 18h00 deste sábado, no Eco Parque do Relvão, na freguesia da Carregueira. O fogo atingiu as instalações da Resitejo e encontrava-se confinado a uma zona de aterro onde existiam resíduos de plástico, cartão e papel. No terreno estavam cerca de 80 operacionais, apoiados por 24 veículos terrestres.
A ocorrência volta a fazer soar os alarmes num complexo onde os incêndios estão longe de ser uma novidade. Ainda em 5 de Abril deste ano, um fogo numa zona de resíduos industriais da Ribtejo obrigou à mobilização de mais de três dezenas de bombeiros e onze viaturas. As chamas foram então circunscritas aos resíduos, sem feridos ou danos em infraestruturas. O historial é mais antigo e inclui episódios de maior gravidade. Em Julho de 2013, cinco bombeiros ficaram intoxicados durante o combate a um incêndio num aterro de resíduos industriais, um deles tendo sido transportado ao Hospital de Santarém. Pouco antes tinha ardido, nas instalações da Resitejo, uma grande quantidade de plástico destinada a reciclagem. Em Junho de 2014, outro violento incêndio na Resitejo provocou ferimentos graves num trabalhador e mobilizou mais de uma centena de operacionais. Já em Maio de 2019, um novo fogo no aterro, cuja origem foi então apontada como provável autocombustão dos resíduos, mobilizou 57 bombeiros e 18 viaturas.
A sucessão de ocorrências continua a alimentar dúvidas sobre prevenção, fiscalização e acompanhamento ambiental do Eco Parque. Em Março deste ano foi ainda detectada uma escorrência negra e com forte odor que chegou a uma ribeira, levando à intervenção do SEPNA e da Agência Portuguesa do Ambiente. O novo incêndio deste sábado volta assim a recordar que, num dos maiores pólos de tratamento de resíduos do país, a segurança e a vigilância não podem sair da agenda.


