Espanhóis acusam secretário de Estado João Moura de táctica miserável e de amedrontar produtores de castanha
A Asociación Galega das Castañas e dos Soutos lançou críticas violentas ao secretário de Estado da Agricultura português, João Moura, acusando‑o de desconhecimento técnico e exigindo a sua saída do Governo em respeito aos agricultores.
O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, foi alvo de críticas severas da Asociación Galega das Castañas e dos Soutos, que exige a sua demissão imediata após declarações consideradas “inaceitáveis” durante a abertura do XVI Encontro Europeu da Castanha (EuroCastanea).
Na iniciativa que reuniu os principais intervenientes do sector a nível europeu, em Carrazedo de Montenegro, município de Valpaços, governante insinuou que a campanha internacional para reconhecer a castanha como “fruto fresco” seria uma manobra para captar fundos da PAC - Política Agrícola Comum da União Europeia, revela a associação que classifica a situação como “um insulto à inteligência” e prova de “desconhecimento alarmante” sobre o sector.
A associação galega, presente no encontro e que tem ligações com produtores portugueses, acusa o secretário de Estado de reduzir uma reivindicação técnica e logística essencial — que exige cadeia de frio contínua para garantir sanidade e viabilidade comercial — a uma questão de subsídios. “A castanha não é um fruto seco”, sublinha a associação, lembrando que a classificação correcta é vital para a profissionalização da cadeia de valor.
“A nossa luta procura rigor logístico e a profissionalização definitiva da cadeia de valor e não mendigar apoios”, realça a organização que está instalada na província da Corunha, na Galiza.
O comunicado, que foi publicado no dia a seguir a terminar o encontro, que decorreu entre quinta e sábado, dias 10 a 12, vai no sentido ainda de que João Moura tentou “amedrontar os produtores” ao afirmar que estes “receberiam zero euros” caso avançasse a alteração legal, acusando o governante de usar “tácticas miseráveis” que atrasam o desenvolvimento dos territórios. Para a associação, declarações desta gravidade “inabilitam‑no por completo” para o cargo. “Um representante público que ameaça os produtores em vez de os defender na Europa não é digno da função”.


