Mundial de Pesca enche alojamentos e obriga selecções a dormir fora de Coruche
A presença de 21 selecções no Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva em Coruche representou mais um teste à capacidade de alojamento de Coruche e da região. Houve comitivas instaladas a dezenas de quilómetros do Sorraia, numa altura em que a falta de camas continua a ser uma das limitações da oferta turística no distrito de Santarém.
O Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva levou a Coruche 21 selecções, centenas de elementos entre atletas e equipas técnicas e um problema que há muito está identificado que é encontrar camas suficientes para quem visita o território. Algumas das comitivas conseguiram ficar no concelho, mas outras tiveram de procurar alojamento fora de Coruche e, nalguns casos, percorrer distâncias consideráveis para chegar diariamente ao local da competição.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), confirma que a capacidade existente não permitiu acolher todas as delegações. “Houve um número significativo de selecções que não conseguiram alojamento em Coruche”, afirmou, referindo que algumas optaram por localidades como Almeirim ou Alenquer e que foram procuradas soluções também em Santarém, Ponte de Sor e Mora. A selecção nacional ficou alojada no concelho, assim como as equipas que conseguiram antecipar as reservas.
A dimensão das comitivas ajuda a perceber a pressão sobre a hotelaria. Pedro Vilelas, pescador de Coruche e segundo capitão da selecção portuguesa, explica que cada país não traz apenas os elementos que entram em competição. “Cada selecção traz 20 ou 25 pessoas”, havendo delegações, como a italiana, que se aproximam das três dezenas de elementos. O coruchense aponta também alojamentos no Carregado ou Almeirim entre as soluções encontradas pelas equipas.
“Temos boa gastronomia, não temos muita dormida”
Para Pedro Vilelas, a escassez de alojamento é uma das fragilidades de um concelho que, em contrapartida, considera reunir boas condições para receber grandes competições internacionais. “Temos gastronomia boa, não temos muita dormida”, resume. O segundo capitão português refere ainda que a procura por casas no concelho já se encontrava pressionada por trabalhadores ligados a uma obra ferroviária iniciada meses antes.
Nem todas as equipas que dormem fora, contudo, deixam de consumir no concelho. Nuno Azevedo salienta que algumas das selecções alojadas noutras localidades optaram por fazer refeições em Coruche, aumentando o impacto económico do campeonato para além da própria hotelaria.
A procura gerada pelo Mundial volta a evidenciar a escassez de alojamento de Coruche, inserida num distrito onde existe um défice de camas face às necessidades turísticas do território. Nuno Azevedo adianta, contudo, que a realidade está a mudar. Actualmente estão registadas 49 unidades de alojamento de diferentes tipologias no concelho e garante que a câmara tem recebido propostas privadas para aumentar a oferta. Entre os projectos que chegam ao município estão também novas unidades hoteleiras, tanto na vila como noutros pontos do concelho. “Vão-nos chegando propostas de iniciativa privada. E isso é muito bom. É porque as pessoas também estão atentas”, afirma o presidente da autarquia.


