Sociedade | 15-09-2026 16:56

Quercus dá parecer desfavorável a unidade de biometano nas Marés

Quercus dá parecer desfavorável a unidade de biometano nas Marés

A unidade de produção de biometano prevista para as Marés, em Abrigada, recebeu parecer desfavorável da Quercus, que aponta “fragilidades ambientais significativas” e se junta à contestação da autarquia e da população.

A Quercus emitiu parecer desfavorável à Unidade de Produção de Biometano nas Marés, Abrigada, no concelho de Alenquer, considerando que o projecto apresenta “fragilidades ambientais significativas” ao nível dos recursos hídricos, solos, emissões, odores e impactes sobre as populações.

Entre as preocupações manifestadas pela Quercus está a pressão sobre os recursos hídricos. Segundo a associação ambientalista, o projecto prevê a afectação directa de uma linha de água de 1.ª ordem e do domínio hídrico de uma linha de água de 2.ª ordem, além do consumo de 20.091 metros cúbicos de água por ano da rede pública.

Para a associação ambientalista, o projecto deve ser reformulado de forma a eliminar a afectação das linhas de água e privilegiar fontes alternativas de água não potável, como a reutilização de águas residuais tratadas.

Outra das preocupações prende-se com as cerca de 87.075 toneladas de digerido previstas anualmente para valorização agrícola. A associação considera insuficiente a informação existente, uma vez que não é apresentado um plano com a identificação das parcelas agrícolas onde o material será aplicado.

A Quercus alerta ainda para os riscos de lixiviação de nitratos, contaminação das águas subterrâneas e eutrofização.

Odores e tráfego pesado entre as preocupações

O funcionamento da unidade implicará o transporte e processamento diário de grandes quantidades de chorumes, estrumes e outros resíduos, situação que, segundo a Quercus, poderá ter impactes ao nível dos odores, qualidade do ar, ruído e circulação rodoviária.

A associação defende a implementação de um plano de monitorização de odores através da instalação de uma rede de sensores no contorno da instalação, para observação contínua dos níveis de H2S (sulfureto de hidrogénio), NH3 (amónia) e VOCs (compostos orgânicos voláteis). Para a Quercus, estes dados devem ser públicos e estar disponíveis para consulta em tempo real.

A associação considera também que deve ser realizado um estudo de impacto no tráfego, com a imposição de rotas obrigatórias fora dos aglomerados populacionais e a manutenção das vias pelo promotor. O objectivo é evitar que esse custo recaia sobre o município ou os contribuintes.

Face às fragilidades que identifica, a associação considera que o projecto “não reúne, nos termos actualmente apresentados, condições para obter parecer ambiental favorável”.

A Quercus sublinha, contudo, que a transição energética é necessária, mas defende que deve ser feita garantindo simultaneamente a protecção da água, dos solos, dos ecossistemas e da qualidade de vida das populações.

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