Médio Tejo quer ser região-piloto no controlo de javalis
Os 11 municípios do Médio Tejo disponibilizaram-se para integrar o projecto-piloto que o Governo está a preparar para travar o crescimento da população de javalis. A pressão da espécie sente-se em vários concelhos, com estragos na agricultura, aproximação às povoações e risco de acidentes rodoviários.
A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo manifestou ao Governo a disponibilidade da região para participar no projecto-piloto destinado ao controlo da população de javalis. Segundo o presidente da CIM, Manuel Jorge Valamatos, o problema tem diferentes níveis de gravidade, mas é transversal aos 11 concelhos. “Há concelhos que têm uma situação mais grave do que outros, no entanto, é uma preocupação geral no âmbito do Médio Tejo”, afirmou o também presidente da Câmara de Abrantes, sublinhando que os municípios querem “fazer parte da solução”.
O Governo anunciou que está a preparar um modelo que poderá prever compensações financeiras por cada javali abatido em zonas onde seja identificada uma densidade excessiva da espécie. Ainda não são conhecidos os valores, os territórios abrangidos ou as regras da medida. Na região, alguns municípios já avançam com respostas próprias. Em Mação, a Câmara e associações de caçadores decidiram preparar um plano para reduzir a população de javalis, admitindo apoios a matilhas e licenças e soluções para armazenamento e escoamento dos animais abatidos. No Sardoal, está marcada para 29 de Setembro uma reunião do Conselho Cinegético Municipal com o ICNF e associações de caçadores, perante aquilo que o presidente da autarquia, Pedro Rosa, classificou como um aumento “exponencial” da espécie.
Em Abrantes continuam a existir avistamentos pontuais em zonas urbanas. Manuel Jorge Valamatos admite que a intervenção nesses locais é mais complexa, uma vez que não se pode recorrer aos mesmos métodos utilizados em zonas de caça, e diz aguardar pelas medidas concretas do Governo. O problema arrasta-se há vários anos no Médio Tejo, com prejuízos em culturas agrícolas, animais junto às povoações e acidentes rodoviários. O ICNF estima que existam cerca de 300 mil javalis em Portugal continental.


