Sobrevivência ao cancro da próstata varia sete pontos entre regiões
APDPróstata alerta para desigualdades no acesso aos cuidados, atrasos na inovação terapêutica e incumprimento dos tempos máximos de resposta em oncologia.
A sobrevivência ao cancro da próstata em Portugal varia cerca de sete pontos percentuais entre regiões, segundo alerta da Associação Portuguesa de Doentes da Próstata (APDPróstata). Os dados mais recentes disponíveis, relativos a 2019, apontam para uma taxa de sobrevivência de 98% no Norte e de 90,9% no Alentejo, diferença que a associação considera “inaceitável”. O cancro da próstata é o tumor mais frequente nos homens, com mais de 7.300 novos diagnósticos e cerca de duas mil mortes por ano, segundo dados de 2022.
A APDPróstata alerta também para os tempos de resposta no Serviço Nacional de Saúde. Segundo o relatório Cancer Country Profiles 2025, da OCDE e Comissão Europeia, 62% dos hospitais públicos portugueses ultrapassaram, em 2023, os tempos máximos de resposta garantidos em oncologia. A associação refere ainda que o acesso a medicamentos inovadores pode demorar, em média, dois anos e meio após a aprovação europeia e denuncia situações em que tratamentos prescritos por especialistas são recusados nos hospitais de residência por decisões administrativas.
José Graça, vice-presidente da APDPróstata e sobrevivente da doença, defende que “a sobrevivência não deveria depender do código postal ou do rendimento” e reclama o cumprimento dos tempos de espera, acesso mais rápido à inovação terapêutica e a concretização do rastreio.


