Sociedade | 19-09-2026 07:00

Criminalidade expõe contrastes profundos entre os concelhos da região

Criminalidade expõe contrastes profundos entre os concelhos da região

Quase 20 mil crimes foram registados em 2025 nos 26 concelhos abrangidos por O MIRANTE, mas os números mostram uma região marcada por fortes desigualdades. Vila Franca de Xira concentra, de longe, o maior volume de ocorrências, enquanto concelhos como Sardoal, Constância ou Golegã apresentam valores muito inferiores.

Os 26 concelhos da área de abrangência de O MIRANTE somaram em 2025 quase 20 mil ocorrências. Vila Franca de Xira destaca-se claramente, com 3.745 crimes, enquanto Sardoal surge no extremo oposto, com 119. A violência doméstica continua a atravessar todo o território e confirma-se como uma das feridas sociais mais persistentes da região. No distrito, Santarém lidera com 1.732 crimes, seguido de Ourém (1.305), Benavente (1.230), Tomar (1.221), Torres Novas (1.012), Abrantes (935) e Entroncamento (934). Seguem-se Almeirim (833), Salvaterra de Magos (782), Coruche (768), Rio Maior (650), Cartaxo (633), Alpiarça (377), Alcanena (347), Vila Nova da Barquinha (305), Chamusca (233), Ferreira do Zêzere (205), Mação (164), Golegã (156), Constância (142) e Sardoal (119). Fora do distrito, mas na área de abrangência de O MIRANTE, Azambuja soma 1.035 ocorrências, Arruda dos Vinhos 359 e Vila Franca de Xira 3.745.
Os dados recolhidos por O MIRANTE no site da Pordata revelam uma realidade preocupante quando se olha para a violência doméstica contra cônjuge ou análogo. Vila Franca de Xira regista 355 ocorrências, muito acima de Santarém (97), Ourém (90), Azambuja (82), Tomar (80), Benavente (71) e Entroncamento (60). Nos furtos em residência, Santarém volta a sobressair, com 85 casos, seguido de Tomar (55), Vila Franca de Xira (44), Torres Novas (42), Ourém (39) e Entroncamento (36). Nos furtos em edifícios comerciais ou industriais, Vila Franca lidera com 79, à frente de Santarém (40), Tomar (32), Ourém (29), Benavente (23) e Entroncamento (21).
O quadro regional acompanha em parte o nacional. Portugal registou 365.802 crimes em 2025, dos quais 25.357 de violência doméstica contra cônjuge ou análogo. Os 19.222 crimes dos concelhos aqui considerados representam cerca de 5,3% do total nacional. Uma comparação directa com 1993 aponta para um crescimento mais acentuado nesta faixa territorial do que no conjunto do país, mas exige cautela: a própria Pordata assinala quebras de série, alterações nas entidades policiais abrangidas e mudanças administrativas. Mais participações não significam, por si só, que a criminalidade real tenha aumentado na mesma proporção.
Os números reforçam o retrato que O MIRANTE tem vindo a publicar em várias notícias. O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 mostrou que a criminalidade geral no distrito de Santarém subiu 3%, praticamente em linha com os 3,1% registados no país, mas a criminalidade violenta e grave recuou 13,3%. A condução com álcool foi o crime mais participado e a violência doméstica voltou a aparecer entre as tipologias com maior expressão. Outra realidade que tem ganho terreno é a das burlas informáticas: foram 507 no distrito, mais 25,8%, confirmando que uma parte cada vez maior do crime já não entra pela porta ou pela janela, mas pelo telemóvel. Vila Franca de Xira e, em particular, Alverca têm dado expressão concreta a esse mapa estatístico. Só nas últimas semanas O MIRANTE noticiou detenções por tentativa de furto numa habitação e num estaleiro industrial em Alverca, depois de outros casos envolvendo furtos e violência doméstica no concelho. São episódios que não permitem, isoladamente, definir uma tendência, mas ajudam a perceber porque surge Vila Franca de Xira destacada no volume de ocorrências. Recorde-se que, tal como também noticiou O MIRANTE, 559 vítimas recorreram à APAV em 2025 no distrito de Santarém.

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