Federação dos Bombeiros de Santarém endividada e sem direcção há quase um ano
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém está atolada numa dívida que se arrasta há anos e sem direcção desde Outubro do ano passado. A última equipa não resistiu mais de quatro meses e nenhuma lista quis assumir o lugar, deixando a instituição num limbo que ameaça a sua continuidade.
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém está num vazio directivo há quase um ano, paralisada por uma dívida superior a 30 mil euros a uma empresa de ambulâncias, que está a complicar o funcionamento da instituição que deveria representar os corpos de bombeiros do distrito. A última direcção durou apenas quatro meses, não conseguiu negociar com o credor e acabou por se demitir. Prevê-se que em Outubro seja feita uma assembleia-geral para eleições e para se falar do futuro da federação.
A crise é profunda e não é nova. A dívida à Ambulâncias Crespo, resultante de serviços de transporte de doentes não urgentes no Médio Tejo, tem mais de dez anos e cresceu com juros sucessivos. A federação, que liderava esse serviço e recorria à empresa sempre que necessário, nunca conseguiu resolver o problema. O jipe da instituição chegou a ser penhorado e, actualmente, a federação não tem bens, vive apenas das quotizações das associadas e não dispõe de margem financeira para qualquer plano de recuperação.
Adelino Gomes, ex-comandante dos Bombeiros de Constância e actual presidente da corporação, já tinha tentado negociar com o credor quando dirigiu a federação, mas sem sucesso. “A situação exige uma posição dos corpos de bombeiros. A insolvência pode ter de ser equacionada”, admite, sublinhando que a instituição está tecnicamente asfixiada.
A última direcção, liderada por Vítor Reis, quadro dos Municipais do Cartaxo e ex-presidente da Escola Nacional de Bombeiros, entrou apenas para terminar o mandato anterior. Quatro meses depois demitiu-se, sem conseguir encontrar uma solução para a dívida. Não se recandidatou e nenhuma lista apareceu para as eleições seguintes. “Há anos que a federação vive uma crise directiva e os corpos de bombeiros não se sentem representados”, afirma em declarações a O MIRANTE.
Neste momento, a federação resume-se à assembleia-geral, presidida por Guilherme Isidro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Ourém. É ele quem tenta segurar a estrutura e que está a trabalhar no sentido de em Outubro convocar nova assembleia para eleições, explicando que o processo foi atrasado pelas tempestades, pelo calor extremo e pelo risco de incêndio que tem ocupado os bombeiros.
Para ultrapassar esta situação de asfixia a solução mais viável é as federadas aceitarem entre elas juntar o valor e liquidarem a dívida de uma vez ou em prestações, ou, em último caso, extinguir a federação.


