Sociedade | 19-09-2026 18:00

Mulher morre na Fajarda após engasgamento: ambulância chegou 25 minutos depois do alerta

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foto ilustrativa

Os Bombeiros Municipais de Coruche e os Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos não tinham ambulâncias disponíveis quando receberam o pedido de socorro. O INEM garante que o CODU accionou sucessivamente os meios mais próximos e que a demora na chegada à vítima resultou da indisponibilidade operacional das duas corporações.

Uma mulher de 75 anos morreu no dia 9 de Setembro, na freguesia da Fajarda, concelho de Coruche, depois de sofrer uma obstrução da via aérea e entrar em paragem cardiorrespiratória. A ambulância que acabou por responder à ocorrência partiu de Benavente e chegou junto da vítima às 19h21, 25 minutos depois de o pedido de socorro ter sido recebido pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
A chamada foi recebida às 18h56 e, segundo esclareceu o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a O MIRANTE, foi “correctamente triada como uma situação de paragem cardiorrespiratória”. O familiar que se encontrava no local recebeu de imediato orientações telefónicas para iniciar manobras de Suporte Básico de Vida, enquanto o CODU procurava meios de emergência disponíveis. Às 18h57, um minuto depois do primeiro contacto, os Bombeiros Municipais de Coruche informaram o CODU de que não dispunham de qualquer ambulância livre, recusando o despacho por indisponibilidade. A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Santarém foi accionada às 18h58. No minuto seguinte, o CODU procurou resposta junto dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, mas também esta corporação recusou o accionamento por não dispor de meios.
Perante a indisponibilidade das duas corporações mais próximas, às 19h01 foi accionada uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Benavente, que, segundo o INEM, era naquele momento “o meio de emergência disponível mais próximo”. A ambulância de Benavente chegou junto da vítima às 19h21. Sete minutos depois, às 19h28, chegou a VMER de Santarém.
De acordo com os registos dos meios de socorro, a mulher sofreu uma obstrução da via aérea, acabando por entrar em paragem cardiorrespiratória. Os familiares iniciaram as manobras de reanimação, que foram posteriormente prosseguidas pelos bombeiros, com recurso a Desfibrilhador Automático Externo (DAE). Apesar das manobras efectuadas, não foi possível reverter a situação e a equipa médica da VMER acabou por verificar o óbito.

INEM afasta atraso do CODU
Na resposta enviada a O MIRANTE, o INEM rejeita que o tempo de chegada dos meios tenha resultado de qualquer demora na actuação do CODU ou da opção por enviar uma ambulância situada mais longe da ocorrência. “Importa esclarecer que o tempo de chegada dos meios à ocorrência não resultou de qualquer atraso ou decisão do CODU de atribuir a ocorrência a um meio mais distante, mas da indisponibilidade operacional dos corpos de bombeiros mais próximos”, refere o instituto.
O esclarecimento acrescenta um novo dado à informação prestada pelos Bombeiros Municipais de Coruche. Luís Coelho, segundo-comandante da corporação, referiu a O MIRANTE que, quando recebeu a solicitação, a informação disponível indicava uma situação de emergência médica, sem conhecimento da gravidade concreta da ocorrência.
O INEM confirma, por seu lado, que a chamada foi triada logo às 18h56 como uma situação de paragem cardiorrespiratória e sustenta que, ao ser pedido aos Bombeiros de Coruche apoio à VMER, a corporação tinha indicação de que estava perante uma ocorrência emergente. O instituto não especifica, contudo, se no contacto foi expressamente comunicado aos bombeiros que a vítima se encontrava em paragem cardiorrespiratória.
“Nós no momento tínhamos os meios de resposta de emergência médica todos ocupados e fizemos a recusa do serviço”, explicou Luís Coelho, acrescentando que, nestas circunstâncias, cabe ao INEM procurar meios disponíveis nas corporações vizinhas, numa lógica que também funciona em sentido inverso quando Coruche é chamado a prestar socorro noutros concelhos. Luís Coelho afirmou que só posteriormente tomou conhecimento de que a situação se tratava de uma paragem cardiorrespiratória.
Mais tarde, quando os Bombeiros Municipais de Coruche foram chamados para efectuar o transporte do cadáver, a corporação já dispunha de meios, uma vez que a ocorrência coincidiu com o final de um turno e com a entrada de uma nova equipa às 20h00.

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