Sociedade | 19-09-2026 15:00

Presidente dos Bombeiros de Alcanede confirma desconforto com empresa criada por bombeiros e comandante de Pernes

Presidente dos Bombeiros de Alcanede confirma desconforto com empresa criada por bombeiros e comandante de Pernes

O presidente dos Bombeiros de Alcanede, Nelson Durão, confirma que só soube da criação da Ambulâncias 24 por dois bombeiros da corporação e o comandante de Pernes, depois de a empresa estar constituída e admite o desconforto que sentiu com a situação. O dirigente, admitindo que a questão não fica bem à imagem do sector, diz que a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil pediu esclarecimentos ao corpo de bombeiros, depois de O MIRANTE ter noticiado o caso, dando conta dos pareceres negativos da autoridade e da federação de bombeiros.

A polémica em torno da Ambulâncias 24 tem um novo episódio, com o presidente dos Bombeiros de Alcanede, concelho de Santarém, a revelar que só soube da criação da empresa quando os bombeiros envolvidos já a tinham constituído. Dizendo que na altura comunicou aos dois profissionais que não podiam estar a fazer “concorrência ao patrão”, Nelson Durão alertou para o facto de não poderem estar nos dois lados ao mesmo tempo. Um deixou de ser profissional da corporação e o outro, segundo o dirigente, disse-lhe que saiu da empresa, mas o portal dos actos societários, consultado por O MIRANTE, não tem o registo da transmissão da quota.
Depois da notícia publicada na edição de O MIRANTE da semana passada, o Comando Sub-Regional de Emergência e Protecção Civil da Lezíria do Tejo pediu explicações à corporação, revela Nelson Durão, que não está certo que o facto de o bombeiro que saiu de profissional não possa incorrer também em “incompatibilidades” como voluntário. Em relação ao outro, com o posto de sub‑chefe, o que consta nos actos societários do Ministério da Justiça é a renúncia ao cargo de gerente, sem que seja evidente a transmissão da quota, surgindo, entretanto, um novo gerente, cunhado do bombeiro, também sem registo de quota associado. Nelson Durão considera, em declarações a O MIRANTE, que “toda a gente tem direito a governar‑se”, mas considera que “não fica bem à imagem dos bombeiros quando se misturam funções”.
A Ambulâncias 24 – Transporte de Doentes Não Urgentes, Lda., sediada em Alcanede, foi criada no final de 2023 por dois bombeiros profissionais de Alcanede e por Paulo Santos, actual comandante dos Bombeiros Voluntários de Pernes, que já comandou Alcanede e Santarém. A empresa entrou no mercado apesar de pareceres negativos da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) e da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, que alertaram para incompatibilidades, bem como para a inexistência de necessidade de novos operadores no concelho de Santarém, onde só Alcanede tem 35 viaturas e Pernes 19, integradas no consórcio que domina o transporte de doentes não urgentes na Lezíria.
O INEM atribuiu o alvará à empresa apesar de todos os pareceres técnicos apontarem no sentido contrário. No pedido de licenciamento, Paulo Santos surge como gestor da frota da empresa. A empresa já teve dois contratos por ajuste directo com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, num total de 30.500 euros. Em Junho, anunciou uma parceria com o Instituto Português de Oncologia de Coimbra, apresentando‑se como empresa de referência no transporte de doentes oncológicos.
José Viegas, ex‑comandante dos Bombeiros de Pernes e actual responsável pelo transporte de doentes não urgentes da corporação, desvalorizou o conflito de interesses, afirmando que Paulo Santos “não gere directamente o sector de transportes”.

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