Região está acima da média nacional no acesso a caixas multibanco
Distrito de Santarém tem uma rede de caixas automáticas próxima da média nacional em termos populacionais e uma percentagem de freguesias sem acesso muito inferior à do país. Vila Franca de Xira está entre os 20 municípios portugueses com maiores pontos de acesso.
O distrito de Santarém apresenta uma cobertura da rede de acesso a dinheiro através das chamadas caixas multibanco globalmente mais favorável do que a média nacional, embora mantenha algumas bolsas de vulnerabilidade que poderão ganhar importância caso prossiga a redução da rede de balcões bancários. A conclusão resulta da análise do Banco de Portugal, publicada na última semana, à cobertura da rede de caixas automáticas, agências bancárias com serviços de numerário e pontos de cash-in-shop em 2025.
A nível nacional existiam no final de 2025 um total de 14.654 caixas automáticas, 2.732 agências bancárias com capacidade para realizar operações de numerário e 547 pontos de cash-in-shop, num total próximo dos 18 mil pontos de acesso distribuídos pelos 308 municípios portugueses. O Banco de Portugal considera que, em termos agregados, não existe um problema de cobertura ou de capacidade com expressão relevante no país, embora persistam diferenças significativas entre territórios.
Santarém acompanha esta realidade. O distrito tinha, no ano passado, 605 caixas automáticos, representando 4% do total nacional. O número cresceu face aos 578 existentes em 2022, uma subida de cerca de 4,7%. No mesmo período, porém, o número de balcões com serviços de numerário caiu de 164 para 145, uma redução de 19 unidades, equivalente a cerca de 12%.
A evolução mostra uma alteração significativa na forma como os habitantes acedem ao dinheiro: há caixas automáticas mas menos balcões onde é possível realizar operações de numerário presencialmente. Esta tendência não é exclusiva de Santarém e acompanha a evolução nacional, onde o número de balcões com serviços de numerário passou de 3.209 em 2022 para 2.732 em 2025, uma redução de 15%.
Quando analisada em função da população, a situação de Santarém é relativamente favorável. O distrito tinha 424.973 habitantes e 605 caixas automáticas, correspondendo a cerca de um ATM por cada 702 habitantes. O valor está alinhado com a média nacional, que ronda um caixa automático por cada 706 habitantes.
Um multibanco a cada 11 quilómetros quadrados
A realidade muda quando se considera a dimensão territorial. Santarém tem 6.718 quilómetros quadrados, o que significa que, em termos médios, cada caixa automático corresponde a cerca de 11 quilómetros quadrados. Em Portugal a média é de cinco quilómetros quadrados por ponto de acesso. O indicador evidencia uma característica estrutural do território ribatejano: a rede consegue acompanhar relativamente bem a população, mas tem de servir um território extenso e com níveis de povoamento muito diferentes.
É também na distribuição territorial que surgem as principais fragilidades. Das 141 freguesias do distrito, 20 não tinham qualquer ponto de acesso a numerário no final de 2025. São 14% das freguesias, uma percentagem bastante inferior aos 40% registados no conjunto do país. Essas freguesias abrangiam 16.621 habitantes, correspondentes a apenas 4% da população de Santarém, e 727 quilómetros quadrados, cerca de 11% do território distrital.
O facto de uma freguesia não possuir um ATM ou balcão não significa, contudo, que a população esteja necessariamente mal servida. O Banco de Portugal sublinha que, em muitos casos, a existência de pontos de acesso numa freguesia vizinha permite garantir uma distância considerada adequada.
Santarém é o segundo distrito do país com maior número de freguesias classificadas como potencialmente vulneráveis a alterações na rede. São cinco, apenas atrás de Beja, que contabiliza oito. No total nacional foram identificadas 36 freguesias nesta situação. A classificação é atribuída quando a infraestrutura existente apresenta uma capacidade reduzida face à população ou ao território servido. Entre os critérios utilizados pelo Banco de Portugal estão situações em que cada ponto de acesso serve, em média, 4.000 ou mais residentes, cobre pelo menos 150 quilómetros quadrados ou, simultaneamente, serve pelo menos 1.500 residentes e 50 quilómetros quadrados.
A situação de Santarém contrasta, contudo, com os casos mais problemáticos identificados pelo estudo. Apenas um município do distrito surge entre os 19 concelhos nacionais onde cada ponto serve, em média, mais de 50 quilómetros quadrados: a Chamusca.
Vila Franca de Xira é a melhor classificada
Na comparação com os quatro concelhos do distrito de Lisboa abrangidos por O MIRANTE, a diferença entre os territórios de maior densidade populacional e as zonas rurais do interior do distrito é mais notória. Vila Franca de Xira destaca-se com 168 pontos de acesso a numerário, estando entre os 20 concelhos portugueses com maior número absoluto de pontos, numa lista liderada por Lisboa, Porto e Sintra. Vila Franca de Xira tinha, segundo os dados utilizados pelo Banco de Portugal, 137.529 habitantes e uma área de 318 quilómetros quadrados.
O peso de Vila Franca de Xira na rede nacional é significativo: os seus 168 pontos representam 1% de todos os pontos de acesso existentes no país. Arruda dos Vinhos, Alenquer e Azambuja não aparecem entre os municípios identificados pelo Banco de Portugal como estando nas situações mais críticas de acesso ao numerário.


