Entroncamento tem 64 novas casas a caminho mas mantém 200 pessoas à espera de habitação
Construção de oito blocos para realojar famílias do Bairro Frederico Ulrich estava, no final de Agosto, com 91% de execução. Outra intervenção em 64 habitações sociais já terminou. Investimento global ronda os 10,5 milhões de euros, mas a procura continua muito acima da oferta.
O Entroncamento está perto de concluir a construção de 64 novos fogos de habitação, numa altura em que cerca de 200 pessoas continuam em lista de espera por uma resposta habitacional no concelho. A empreitada, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apresentava no final de Agosto uma execução de 91% e deverá ficar concluída até ao final do ano. Os novos apartamentos, de tipologias T2 e T3, estão distribuídos por oito blocos entre as ruas Coronel Joaquim Estrela Teriaga e das Gouveias e destinam-se ao realojamento de famílias que vivem no Bairro Frederico Ulrich, conjunto habitacional construído na década de 1950.
A intervenção representa a maior fatia do investimento municipal apoiado pelo programa 1.º Direito e tem uma comparticipação aprovada superior a 9,1 milhões de euros. O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha (Chega), afirma que encontrou a obra parada há cerca de sete meses quando iniciou funções, tendo sido necessário ultrapassar dificuldades no fornecimento de materiais que cumprissem os requisitos técnicos e energéticos impostos pelo PRR. A autarquia concluiu entretanto outra intervenção habitacional, nos blocos G, H, I e J da Rua General Humberto Delgado. As obras, terminadas a 17 de Agosto, abrangeram 64 fogos municipais e incluíram a remodelação de cozinhas e instalações sanitárias, melhorias nas acessibilidades e a instalação de quatro elevadores exteriores. O apoio aprovado para esta operação ronda os 1,2 milhões de euros. No conjunto, os dois projectos representam um investimento próximo dos 10,5 milhões de euros e permitem recuperar habitações sociais degradadas e aumentar o parque habitacional municipal.
Duzentas pessoas continuam sem resposta
O reforço da oferta está, porém, longe de resolver o problema. Nelson Cunha admite que os serviços municipais têm actualmente cerca de 200 pessoas à espera de uma solução habitacional e reconhece que o concelho precisa de mais casas. A Câmara está a preparar a Carta Municipal de Habitação, instrumento que deverá permitir uma avaliação mais rigorosa das necessidades existentes e ajudar a definir as próximas prioridades. Uma das questões em aberto é o futuro da terceira fase do Plano Local de Habitação, que previa a construção de seis blocos e 15 moradias na Rua Antero de Quental. O procedimento acabou por ser encerrado em Setembro de 2025.
O actual executivo aponta agora para uma aposta maior na habitação a custos acessíveis, procurando dar resposta sobretudo a jovens e famílias que têm rendimentos, mas não conseguem acompanhar os preços praticados no mercado. Nelson Cunha defende que esta opção não deverá substituir a habitação social destinada às situações de maior vulnerabilidade. A Estratégia Local de Habitação do Entroncamento, aprovada em 2021, identificava inicialmente 184 agregados familiares, num total de 444 pessoas, a viver em condições habitacionais consideradas indignas. O investimento então estimado para responder às necessidades rondava os 12,1 milhões de euros.


