Chega leva polémica de João Moura na EuroCastanea ao Parlamento
Declarações do secretário de Estado da Agricultura sobre a classificação da castanha como fruto fresco já tinham provocado uma dura reacção de produtores galegos. O Chega quer agora ouvir João Moura no Parlamento.
A polémica provocada pelas declarações do secretário de Estado da Agricultura, João Moura, na abertura do XVI Encontro Europeu da Castanha – EuroCastanea 2026 vai chegar à Assembleia da República. O Grupo Parlamentar do Chega pediu a audição urgente do governante, que é também presidente da Assembleia Municipal de Ourém, para prestar esclarecimentos sobre as posições assumidas durante o encontro realizado em Carrazedo de Montenegro, Valpaços. O requerimento vai ser discutido e votado na Comissão de Agricultura e Pescas na terça-feira, 22 de Setembro. Segundo a Voz do Campo, o pedido surge na sequência da controvérsia em torno das declarações de João Moura sobre a campanha internacional que pretende o reconhecimento da castanha como “fruto fresco”, questão com implicações na forma como o produto é conservado, transportado e comercializado.
O MIRANTE já tinha noticiado que a Asociación Galega das Castañas e dos Soutos reagiu com dureza às palavras do secretário de Estado, acusando-o de desconhecimento técnico e de desvalorizar uma reivindicação que o sector considera essencial para a profissionalização da cadeia de valor. A organização espanhola contestou a associação feita pelo governante entre a alteração da classificação e a captação de apoios da Política Agrícola Comum, sublinhando que a castanha necessita de uma cadeia de frio contínua e não deve ser tratada, do ponto de vista logístico, como um fruto seco. A associação galega acusou ainda João Moura de ter tentado “amedrontar os produtores”, alegando que estes poderiam ficar sem apoios caso avançasse uma alteração do actual enquadramento. Na altura, a organização chegou a defender a saída do secretário de Estado do Governo. João Moura, na publicação que fez sobre a presença na EuroCastanea, destacou a importância económica e cultural da castanha em Trás-os-Montes e a relevância do encontro para o debate dos desafios do sector.
Com o requerimento do Chega, uma polémica que começou num encontro técnico europeu passa agora para o plano parlamentar. Caberá à Comissão de Agricultura e Pescas decidir se João Moura será chamado à Assembleia da República para explicar as declarações que desencadearam a contestação.


