Sociedade | 21-09-2026 10:00

Comerciantes de Alverca rejeitam parquímetros e querem pesados fora do centro da cidade

Comerciantes de Alverca rejeitam parquímetros e querem pesados fora do centro da cidade
Dina Alves aproveitou a visibilidade da Nacional 10 para chamar a atenção para o seu negócio - foto O MIRANTE

Os comerciantes de Alverca do Ribatejo contestam a criação de estacionamento pago e defendem que a prioridade deve ser encontrar alternativas para estacionar. Ao mesmo tempo, pedem o desvio dos veículos pesados do centro da cidade, uma reivindicação antiga, e apontam o congestionamento da Nacional 10 como um dos problemas.

Os comerciantes de Alverca do Ribatejo estão contra a criação de estacionamento pago e defendem que o problema deve ser resolvido com mais estacionamento e melhores alternativas para quem se desloca à cidade. O trânsito intenso na Nacional 10 é visto de forma diferente: dá visibilidade a alguns negócios, mas é também apontado como um problema, sobretudo pela passagem de veículos pesados.
Elisabete Martins, da Colchão Net, está naquele local há cerca de 18 anos e considera que o aumento do movimento na Nacional 10 acaba por beneficiar o negócio, sobretudo pela visibilidade que dá à loja. “Quanto mais pessoas passarem pela Nacional, mais pessoas vão ver e reconhecer a loja”, afirma. Quem passa de carro pode ficar com a referência do estabelecimento e lembrar-se posteriormente da loja.
Já em relação ao estacionamento, a opinião é bem diferente. Considera que Alverca está “bastante congestionada” e critica a possibilidade de instalação de parquímetros, por entender que estes podem prejudicar o comércio. “É ridiculo. A pessoa não vem de carro, não sei de onde para aqui, porque vai ter de pagar. Vai para outros sítios onde não paga”, afirma Elisabete Martins. A comerciante defende que devem ser encontradas alternativas de estacionamento e aponta ainda outra solução para melhorar a circulação na cidade: “Se desviassem tudo o que é camiões, se calhar era mais fácil”, considera.
Também Guilherme Cardoso, responsável pelo balcão da pastelaria Moinho de Água, reconhece que o movimento da Nacional 10 dá visibilidade ao estabelecimento. “As pessoas podem não parar agora, mas ficam no olho e depois acabam por voltar”, refere. O estacionamento é, contudo, uma dificuldade para os clientes. O responsável diz que durante a semana, quando a maioria do comércio está aberto, a dificuldade é maior e há pessoas às voltas à procura de lugar, que acabam por desistir e vão embora. “Nós acreditamos também que acabamos por perder certa parte de clientes devido ao estacionamento”, relata.
A criação de estacionamento pago não é vista como solução. “Não é por aí”, diz Guilherme Cardoso, considerando que as pessoas poderiam deixar de ir àquela zona se tivessem de pagar para estacionar. A solução, defende, passa por criar mais estacionamento. Sobre a possibilidade de criar novos lugares nas proximidades, admite não ver actualmente onde isso possa ser feito, embora refira a existência do Parque da Feira como uma alternativa utilizada pelos clientes.

Pesados continuam a atravessar Alverca
Luís Lúcio António, da loja Barateiros de Alverca, está no comércio local há 56 anos e acompanhou as transformações da cidade. Considera que a Nacional 10 tem actualmente mais movimento e aponta como uma das razões o facto de os veículos pesados continuarem a atravessar a cidade.
“Enquanto, por exemplo, em Vila Franca foram tirados os pesados de dentro da cidade, em Alverca continuaram a passar”, diz.
O comerciante lembra que há muitos anos se fala numa variante para retirar trânsito da cidade, mas que esta nunca avançou. Ao mesmo tempo, refere, Alverca tem hoje mais comércio de grande dimensão, nomeadamente supermercados, enquanto os acessos continuam a ser praticamente os mesmos.
Para Luís Lúcio António, o aumento do trânsito na Nacional 10 não significa necessariamente mais clientes para o pequeno comércio. “O tráfego que passa aqui na Estrada Nacional é de passagem”, afirma, explicando que as grandes superfícies têm estacionamento próprio, ao contrário de muitos estabelecimentos do comércio tradicional. O comerciante também rejeita a possibilidade de criação de estacionamento pago. “Não concordo. Não vai resolver”, afirma. Na sua opinião, antes de cobrar pelo estacionamento é necessário criar alternativas. “Resolução é começar de início e ver onde é que se pode fazer o estacionamento para a pessoa ter opção”, defende.

Dina Alves apostou num novo negócio junto à N10
O movimento da Nacional 10 também pode ser uma oportunidade para quem tem um negócio com visibilidade directa para a estrada. É o caso de Dina Alves, que abriu no final de Março a Sweet Love, um espaço de peças personalizadas em gesso perfumado num antigo quiosque de revistas. A localização foi uma das razões que a levou a apostar no espaço. “Espero mesmo que este seja o espaço que as pessoas passam na Nacional 10 e fiquem com curiosidade de vir aqui espreitar”, afirma.
A estratégia parece estar a resultar. Dina Alves conta que há pessoas que ficam a olhar para o espaço quando estão paradas nos semáforos e que acabam por voltar posteriormente para conhecer o negócio. O antigo quiosque ganhou uma nova utilização e tornou-se também um pequeno ponto de encontro para moradores da zona. A comerciante valoriza sobretudo a relação directa com os clientes e considera que esse é um dos trunfos do comércio tradicional. “As pessoas vêm, às vezes, nem vêm comprar. Vêm só para desabafar, para dizer um olá e para falar dos problemas delas”, conta.
Apesar de também apontar o estacionamento como uma dificuldade, Dina Alves considera que a existência do Largo da Feira permite alguma alternativa para quem pretende deixar o carro e circular a pé pela cidade. No seu caso, o intenso movimento rodoviário acaba por funcionar como uma montra. A localização junto à Nacional 10 permite que o negócio seja visto por milhares de pessoas que atravessam diariamente a cidade, numa vantagem que a comerciante espera continuar a explorar com a chegada do Outono e do Natal.

Elisabete Martins defende mais bolsas de estacionamento em vez de lugares pagos - foto O MIRANTE
Luís Lúcio António defende retirada de pesados do centro da cidade - foto O MIRANTE
Conceição Pereira é funcionária do Moinho de Água há 14 anos - foto O MIRANTE

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