Santarém entra em projecto que quer vencer o ‘nojo’ de comer insectos
Universidade Politécnica de Santarém integra projecto-piloto que pretende desmontar preconceitos sobre o consumo de insectos e peixe de aquacultura. A iniciativa aposta nos jovens para mudar mentalidades perante os novos desafios da alimentação.
A Universidade Politécnica de Santarém é uma das instituições envolvidas no Food4Thought, um projecto-piloto que vai colocar alunos a discutir, experimentar e questionar alguns dos maiores preconceitos associados à alimentação do futuro, nomeadamente o consumo de insectos e de produtos provenientes da aquacultura. A iniciativa é financiada pela Egas Moniz, instituição de ensino superior de Almada, e conta ainda com a participação do laboratório colaborativo B2E - Blue Bioeconomy CoLAB e da empresa de biotecnologia Thunder Foods. O projecto decorre até Agosto de 2027 e envolve, além de Santarém, a Escola Secundária de Estarreja e a própria Egas Moniz.
Um dos principais obstáculos identificados pelos investigadores é a reacção emocional ao consumo de insectos. Elisabete Matos, responsável pelo projecto, reconhece que o “nojo” pesa muitas vezes mais do que argumentos relacionados com segurança alimentar. Já em relação à aquacultura persistem dúvidas sobre a qualidade e segurança do peixe produzido nesses sistemas, que o projecto pretende esclarecer com informação científica.
Depois de inquéritos, grupos de discussão e trabalho académico, o Food4Thought deverá dar origem a um jogo de tabuleiro inspirado num “escape room”, destinado sobretudo a jovens adultos. O objectivo é usar a gamificação e a aprendizagem activa para tornar mais natural o debate sobre novas fontes de proteína, numa altura em que as alterações climáticas, a pressão sobre os recursos e os custos de produção obrigam a repensar a forma como os alimentos chegam à mesa.


