Ministro anuncia em Coruche projecto para pagar por cada javali abatido
O ministro da Agricultura e Mar esteve no Dia de Campo do InovMilho, em Coruche, onde os prejuízos provocados por javalis nas culturas estiveram entre os temas em debate. O valor a atribuir por animal ainda não foi definido.
O Ministério da Agricultura está a preparar um projecto-piloto que prevê o pagamento de um valor por cada javali abatido através da caça em zonas onde seja identificado um excesso destes animais. A medida foi anunciada pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, no encerramento do Dia de Campo do InovMilho, na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche. O governante não adiantou qual será o montante a pagar por cada animal abatido, tendo feito o anúncio depois de os presidentes da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) terem colocado várias questões durante a sessão de encerramento.
A presença de javalis e os prejuízos provocados nas culturas foram, de resto, um dos assuntos abordados ao longo do encontro. Carlos Fonseca, da Universidade de Aveiro, apresentou um projecto-piloto que envolve a instalação de cercas eléctricas e outras medidas destinadas ao controlo destes animais.
O Dia de Campo do Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo – InovMilho reuniu cerca de 240 agricultores, técnicos, investigadores e representantes institucionais. O programa abordou os condicionantes e oportunidades da produção de milho em Portugal, o impacto do Vírus do Nanismo, a segurança fitossanitária no âmbito do projecto QualiCereais e a gestão sustentável do solo, apresentada pela Soil Academy.
Nos campos de ensaio foram também apresentadas soluções tecnológicas aplicadas à cultura do milho, entre as quais a fotogrametria, a monitorização por satélite e demonstrações de agricultura resiliente. A parceria entre o InovMilho e a Cotarroz deu ainda a conhecer os desafios da produção de arroz sob pivot. A agricultura de precisão esteve igualmente em destaque, com intervenções de Constantino Valero, da Universidad Politécnica de Madrid, e Luís Alcino da Conceição, do InovTechAgro.
A edição deste ano contou com dirigentes de diversas entidades públicas, além dos presidentes da CAP, da Comissão de Agricultura e Pescas e da Câmara Municipal de Coruche, e do ministro da Agricultura e Mar. Durante o encontro foi ainda assinado um protocolo de colaboração entre o B-Rural, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, destinado a aproximar o sector agrícola e florestal dos estudantes do ensino superior e a promover oportunidades de formação, investigação e valorização das profissões ligadas à terra.
Custos com fertilizantes e combustíveis preocupam
Na sessão de encerramento, o presidente da ANPROMIS, Jorge Durão Neves, pediu ao ministro da Agricultura um reforço dos pagamentos ligados ao milho e alertou para o aumento dos custos dos fertilizantes e combustíveis. Segundo o responsável, estes dois factores representaram um acréscimo de cerca de 300 euros por hectare nos custos de produção.
Jorge Durão Neves considerou positiva a atribuição de uma ajuda extraordinária, mas lamentou que o apoio português fique abaixo do concedido em Espanha. Segundo os valores apresentados pela ANPROMIS, os produtores espanhóis recebem 92,50 euros por hectare, enquanto em Portugal o apoio será de 61 euros por hectare, resultante de parcelas de 28 e 33 euros.


