Sociedade | 22-09-2026 11:59
Torres Novas fica com quase 80% do alargamento do Parque Natural
Proposta do ICNF acrescenta cerca de 3.734 hectares ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, dos quais quase três mil ficam no concelho de Torres Novas. Alargamento recupera uma reivindicação municipal com sete anos para proteger a totalidade da Escarpa do Arrife.
Torres Novas concentra quase 80% da área prevista no alargamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), actualmente em discussão pública. Dos 3.734 hectares que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) propõe acrescentar à área protegida, 2.937 ficam no concelho torrejano, abrangendo terrenos nas freguesias de Pedrógão, Chancelaria e Assentis.
A proposta concretiza uma reivindicação que o município começou a defender em 2019, com o objectivo de integrar no parque toda a Escarpa do Arrife, formação geológica que marca a transição entre o Maciço Calcário Estremenho e a Bacia Terciária do Tejo.
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, sublinha que a nova delimitação inclui zonas com elevado valor geológico, paisagístico e ecológico. A Escarpa do Arrife, uma das formações naturais mais marcantes da região, tinha ficado parcialmente de fora dos limites definidos aquando da criação do parque, em 1979.
O processo arrancou formalmente com uma moção apresentada por José Trincão Marques, então presidente da assembleia municipal, aprovada por unanimidade em Abril de 2019. A autarquia viria depois a propor a integração de cerca de 2.881 hectares classificados no Plano Director Municipal como Espaço Natural do Pré-Parque.
O Conselho Estratégico do PNSAC decidiu, no final de 2019, avançar com o estudo do alargamento, envolvendo também Alcanena e Ourém. A proposta final contempla 570,8 hectares em Ourém e 226,6 hectares em Alcanena.
Segundo o ICNF, os Arrifes constituem um dos exemplos mais relevantes do património geomorfológico português, estendendo-se por mais de 40 quilómetros. A proposta pretende ainda reforçar a protecção da nascente do Almonda, de cavidades cársicas, habitats naturais e espécies de flora e fauna.
O alargamento tem levantado dúvidas entre proprietários e populações, sobretudo em matérias como gestão florestal, prevenção de incêndios, caça, turismo e apanha de produtos agrícolas. A Câmara de Torres Novas promoveu sessões de esclarecimento nas freguesias abrangidas e nos Paços do Concelho.
A autarquia garante que continuará a ter competências em matéria de edificação e transformação do solo para fins urbanísticos. Na área integrada no parque não será permitida a instalação no solo de unidades de produção de energia renovável. O PNSAC tem actualmente cerca de 38.352 hectares e abrange os concelhos de Alcanena, Alcobaça, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior, Santarém e Torres Novas.
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