ULS do Médio Tejo segura cirurgias, Lezíria melhora consultas e Estuário do Tejo falha em tudo
A saúde pública na região terminou 2025 com um retrato desigual e preocupante. O Hospital Vila Franca de Xira, da ULS Estuário do Tejo, entrou em ruptura quase total no acesso às consultas de especialidade, enquanto a Lezíria conseguiu melhorar e o Médio Tejo segurou os melhores resultados nas cirurgias. Os dados são do mais recente relatório da Entidade Reguladora da Saúde.
A saúde pública nas três unidades locais de saúde (ULS) que servem a região abrangida por O MIRANTE, fechou o ano de 2025 com um retrato preocupante, marcado por uma ruptura quase total no acesso a consultas de especialidade no Hospital Vila Franca de Xira (Estuário do Tejo), onde quase 80% dos utentes foram atendidos fora do prazo legal. O mais recente relatório de monitorização da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) indica que o Hospital Distrital de Santarém (Lezíria) conseguiu dar passos na redução das listas de espera para consultas e os Hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas (Médio Tejo) seguraram os melhores indicadores nas cirurgias. A ULS Estuário do Tejo afundou-se como a pior unidade da região em toda a linha.
O Hospital Vila Franca de Xira, integrado na ULS Estuário do Tejo, é o caso mais grave de incumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) na região. No segundo semestre de 2025, esta unidade atingiu a pior marca regional ao registar 79,4% das primeiras consultas de especialidade realizadas fora do prazo legal. Um salto dramático face aos já preocupantes 53,8% registados no primeiro semestre do mesmo ano. Nas cirurgias programadas o cenário deste hospital também é o mais negro do território, com o incumprimento a subir de 12,6% para 18,0% entre os dois semestres.
A ULS do Médio Tejo destaca-se pela positiva na área cirúrgica, com apenas 2,8% das cirurgias a ultrapassaram o tempo legal no primeiro semestre de 2025. Embora tenha sofrido um agravamento para 7,7% no segundo semestre esta unidade manteve-se, com larga distância, como o prestador mais célere a operar os seus doentes. Contudo, nas consultas, os hospitais registaram uma degradação assinalável, com a taxa de incumprimento a subir de 55,7% para 65,0% ao longo do ano.
A única a conseguir uma evolução favorável no acesso às consultas de especialidade foi a ULS da Lezíria, a que pertence o Hospital Distrital de Santarém, tendo reduzido a taxa de utentes atendidos fora do prazo de 56,8% no primeiro semestre para 51,3% no segundo semestre, assumindo o melhor desempenho regional nesta área. Já no plano cirúrgico, o Hospital de Santarém manteve uma trajectória estável, com 11,5% de incumprimento na primeira metade do ano e 12,3% no fecho de 2025.


