Sociedade | 23-09-2026 11:31
Nadador olímpico Miguel Nascimento destaca Rio Maior como peça-chave na alta competição
Nadador olímpico destacou em Rio Maior a importância dos Centros de Alto Rendimento na formação de atletas de elite. Miguel Nascimento recordou que foi na cidade que encontrou as condições que lhe permitiram profissionalizar a carreira. Fórum europeu reúne mais de uma centena de participantes de 16 países.
O Centro de Alto Rendimento de Rio Maior teve um papel decisivo no percurso do nadador olímpico Miguel Nascimento, que apontou as condições encontradas na cidade como determinantes para conseguir dar o salto para a alta competição. “Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou o atleta durante o Encontro Nacional do Alto Rendimento, realizado em Rio Maior. Miguel Nascimento, que soma 66 títulos nacionais e 122 pódios ao longo da carreira, começou a treinar no Centro de Alto Rendimento de Natação de Rio Maior em Setembro de 2014. Natural do Algarve, recordou que o clube onde treinava não dispunha das mesmas condições e que a mudança para Rio Maior lhe permitiu “dar o pulo” na carreira.
Para o nadador olímpico, os Centros de Alto Rendimento desempenham um papel particularmente importante quando os clubes não conseguem garantir todos os meios necessários à preparação de atletas de elite. Miguel Nascimento destacou ainda a possibilidade de concentrar num mesmo espaço treino, alojamento e formação escolar, reduzindo deslocações e permitindo aos atletas assegurar períodos de descanso fundamentais para o rendimento desportivo.
No mesmo painel, dedicado ao impacto dos Centros de Alto Rendimento na preparação e no sucesso desportivo nacional, o seleccionador nacional de futsal, Jorge Braz, considerou que as estruturas portuguesas apresentam vantagens e limitações quando comparadas com centros internacionais, defendendo que essa realidade também contribui para a capacidade de adaptação dos atletas. A formação de desportistas e técnicos esteve igualmente em debate. André Seabra, director da academia de formação da Federação Portuguesa de Futebol, defendeu uma mudança nos actuais modelos, considerando que a oferta existente está “ultrapassada” e deve responder de forma mais directa aos problemas dos clubes e às necessidades dos atletas. A aposta em equipas multidisciplinares e numa maior ligação entre clubes, universidades, indústria e municípios foi também defendida por Tiago Barbosa, da European Aquatics, e Pedro Sequeira, da Confederação de Treinadores de Portugal.
O encontro marcou o arranque do Fórum Europeu da Association of Sport Performance Centres, que decorre em Rio Maior até 25 de Setembro. É a primeira vez que a iniciativa se realiza em Portugal, reunindo mais de 100 participantes de 16 países e três continentes, em representação de cerca de 40 Centros de Alto Rendimento, organizações olímpicas e paralímpicas, federações, investigadores, treinadores e atletas. Investigação e inovação, desporto paralímpico, gestão dos Centros de Alto Rendimento, liderança, carreira dual dos atletas e preparação para grandes competições internacionais estão entre os principais temas em debate, colocando Rio Maior no centro da discussão europeia sobre o futuro do desporto de alta competição.
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