Abrantes quer refeições escolares gratuitas para todos até ao 12.º ano
Município suporta actualmente cerca de 140 mil euros por mês com refeições escolares e quer avançar ainda este ano com a gratuitidade para todos os alunos. Medida representa um acréscimo de despesa superior a meio milhão de euros anuais.
A Câmara de Abrantes quer garantir refeições escolares gratuitas a todos os alunos do concelho, desde o pré-escolar até ao 12.º ano, numa medida que poderá entrar em vigor ainda este ano civil. A intenção foi anunciada pelo presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, que quer apresentar rapidamente uma proposta ao executivo e procura um entendimento com a oposição para viabilizar a iniciativa. Actualmente, os alunos do escalão A não pagam as refeições, os do escalão B suportam apenas uma parte do valor e os restantes pagam cerca de 1,46 euros. O custo real de cada refeição ronda os cinco euros, sendo a maior fatia assumida pelo município, que gasta cerca de 140 mil euros por mês nesta área.
Manuel Valamatos justificou a intenção com o aumento do custo de vida e defendeu que as dificuldades económicas já não atingem apenas as famílias mais vulneráveis. A gratuitidade das refeições poderá, sublinhou, representar uma poupança relevante para os agregados familiares, sobretudo para os que têm mais do que um filho em idade escolar. A medida deverá representar mais de meio milhão de euros de despesa anual e o presidente da câmara admitiu que essa opção poderá condicionar outras decisões, nomeadamente uma eventual redução de impostos ou a implementação imediata do Orçamento Participativo, medidas defendidas pelos vereadores do PSD. O autarca disse, contudo, que o Orçamento Participativo não será abandonado, mas poderá ser adiado.
A proposta surge num ano em que Abrantes voltou a ganhar população escolar. O concelho iniciou o ano lectivo com 4.285 alunos, mais 100 do que em 2025/26. O crescimento é particularmente visível no ensino profissional, que conta com 412 estudantes, mais 27 do que no ano anterior. Cerca de 22% dos alunos, num total de 947, não têm nacionalidade portuguesa. O aumento da procura já está a pressionar algumas escolas, com turmas do secundário próximas do limite máximo e necessidade de mais salas. Na Escola Básica Maria Lucília Moita foi aberta uma nova sala de 1.º ciclo e as escolas da Chainça e de São Miguel do Rio Torto registam também elevada procura. Para Manuel Valamatos, o regresso do crescimento da população escolar é “um bom problema” para o concelho.


