Sociedade | 24-09-2026 07:00

Abrantes quer refeições escolares gratuitas para todos até ao 12.º ano

Abrantes quer refeições escolares gratuitas para todos até ao 12.º ano

Município suporta actualmente cerca de 140 mil euros por mês com refeições escolares e quer avançar ainda este ano com a gratuitidade para todos os alunos. Medida representa um acréscimo de despesa superior a meio milhão de euros anuais.

A Câmara de Abrantes quer garantir refeições escolares gratuitas a todos os alunos do concelho, desde o pré-escolar até ao 12.º ano, numa medida que poderá entrar em vigor ainda este ano civil. A intenção foi anunciada pelo presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, que quer apresentar rapidamente uma proposta ao executivo e procura um entendimento com a oposição para viabilizar a iniciativa. Actualmente, os alunos do escalão A não pagam as refeições, os do escalão B suportam apenas uma parte do valor e os restantes pagam cerca de 1,46 euros. O custo real de cada refeição ronda os cinco euros, sendo a maior fatia assumida pelo município, que gasta cerca de 140 mil euros por mês nesta área.
Manuel Valamatos justificou a intenção com o aumento do custo de vida e defendeu que as dificuldades económicas já não atingem apenas as famílias mais vulneráveis. A gratuitidade das refeições poderá, sublinhou, representar uma poupança relevante para os agregados familiares, sobretudo para os que têm mais do que um filho em idade escolar. A medida deverá representar mais de meio milhão de euros de despesa anual e o presidente da câmara admitiu que essa opção poderá condicionar outras decisões, nomeadamente uma eventual redução de impostos ou a implementação imediata do Orçamento Participativo, medidas defendidas pelos vereadores do PSD. O autarca disse, contudo, que o Orçamento Participativo não será abandonado, mas poderá ser adiado.
A proposta surge num ano em que Abrantes voltou a ganhar população escolar. O concelho iniciou o ano lectivo com 4.285 alunos, mais 100 do que em 2025/26. O crescimento é particularmente visível no ensino profissional, que conta com 412 estudantes, mais 27 do que no ano anterior. Cerca de 22% dos alunos, num total de 947, não têm nacionalidade portuguesa. O aumento da procura já está a pressionar algumas escolas, com turmas do secundário próximas do limite máximo e necessidade de mais salas. Na Escola Básica Maria Lucília Moita foi aberta uma nova sala de 1.º ciclo e as escolas da Chainça e de São Miguel do Rio Torto registam também elevada procura. Para Manuel Valamatos, o regresso do crescimento da população escolar é “um bom problema” para o concelho.

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