Sociedade | 24-09-2026 11:29

Cuidadores substituem o Estado perante falhas no apoio após AVC

Cuidadores substituem o Estado perante falhas no apoio após AVC
foto Canva

A Portugal AVC assinala dez anos de actividade e alerta que continuam a existir falhas no acesso rápido e continuado à reabilitação dos sobreviventes, além de uma forte sobrecarga dos cuidadores.

A Portugal AVC assinala dez anos de actividade e alerta que continuam a existir falhas no acesso rápido e continuado à reabilitação dos sobreviventes, além de uma forte sobrecarga dos cuidadores. “Há muitas queixas de falta destes cuidados de saúde, tão essenciais, do seu início tão precoce quanto possível, multidisciplinar, com continuidade e sem tempos pré-estabelecidos”, afirma António Conceição, presidente e fundador da Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos.
O responsável defende maior investimento na reabilitação, considerando que pode ser determinante para recuperar autonomia e favorecer a integração social e profissional dos sobreviventes. As falhas acabam também por atingir os cuidadores, que, segundo António Conceição, “tantas vezes ‘substituem’ o Estado, 24 horas por dia e sete dias por semana, quase sem nenhum auxílio”.
Em dez anos, a Portugal AVC realizou 20 encontros e conta actualmente com 25 Grupos de Ajuda Mútua (GAM), um dos quais ‘online’ para pessoas até aos 35 anos. A associação estima que pelo menos mil pessoas tenham frequentado estes grupos no último ano. “Os GAM podem ajudar a viver o após AVC”, afirma António Conceição, também ele sobrevivente, destacando a partilha, informação e combate ao isolamento. Dados da Direção-Geral da Saúde apontam para cerca de 25 mil internamentos anuais por AVC isquémico ou hemorrágico. Apesar da redução da mortalidade hospitalar e do maior acesso a tratamentos, a DGS mantém entre os desafios o reforço da reabilitação e da integração de cuidados.

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