Azambuja não consegue segurar motoristas com salários de 920 euros
Câmara de Azambuja está a ter dificuldades em manter motoristas de pesados ao serviço porque os salários pagos pela administração pública não conseguem competir com os valores praticados no sector privado. Presidente do município diz que é preciso rever carreiras e remunerações.
A Câmara de Azambuja está com dificuldades em segurar motoristas de veículos pesados e o presidente do município, Silvino Lúcio (PS), considera necessário rever as condições oferecidas a estes profissionais na administração pública. O assunto foi levantado na última reunião do executivo, durante a discussão da abertura de um concurso para contratar um assistente operacional com funções de motorista de pesados, proposta aprovada por unanimidade.
“É impossível segurar aqui pessoas a ganhar 920 euros, pessoas que têm carteiras profissionais”, afirmou Silvino Lúcio, dando como exemplo um motorista que entrou para o município há cerca de um ano e que já pediu licença sem vencimento para aceitar outro emprego onde vai receber cerca do dobro.
O presidente da câmara reconhece que no sector privado os horários podem ser mais pesados, mas entende que, no final do mês, é o salário que pesa na decisão dos trabalhadores. “Ganham o dobro, fazem mais horas, mas as pessoas governam-se não é com horas, é com dinheiro”, afirmou, acrescentando que até se admira como alguns motoristas continuam ao serviço da autarquia.
Silvino Lúcio considera que a falta de atractividade que já se verifica noutras profissões está a alastrar aos motoristas e defende que sindicatos e Governo devem voltar a discutir carreiras, remunerações e contratos colectivos de trabalho.
A vereadora Ana Coelho (PS), que apresentou a proposta de abertura do concurso, disse que o problema vai muito além dos motoristas. A dificuldade em recrutar e manter trabalhadores sente-se entre assistentes operacionais, mas também noutras áreas da autarquia. A vereadora socialista considera que houve uma desvalorização das profissões quando carreiras como motorista, canalizador ou electricista passaram a ficar abrangidas pela designação genérica de assistente operacional.
Segundo a vereadora, o problema já está a ser discutido no âmbito da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que tem defendido a necessidade de o Governo olhar de outra forma para as carreiras da administração local, clarificando categorias profissionais e revendo os valores pagos. “Os ordenados não são atractivos e isso é reconhecido por todos”, afirmou, explicando ainda que o novo concurso surge depois da saída de um dos motoristas do município e numa altura em que outro profissional se aproxima da idade da reforma.


