Sociedade | 25-09-2026 13:11

Federação pede ao Governo financiamento que acompanhe custos reais dos bombeiros

Federação pede ao Governo financiamento que acompanhe custos reais dos bombeiros
António Carvalho é responsável da Protecção Civil Municipal de Vila Franca de Xira e presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa

Segundo a estrutura presidida por António Carvalho o problema é agravado pelo facto de os mecanismos de financiamento das associações não acompanharem ao mesmo ritmo a subida das despesas.

A Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa, estrutura liderada por António Carvalho, que é também coordenador da Protecção Civil Municipal de Vila Franca de Xira, considera “insustentável e inaceitável” que as associações humanitárias de bombeiros continuem a suportar integralmente o aumento dos preços dos combustíveis, sem um reforço proporcional do financiamento público.
Num comunicado divulgado na última semana, a estrutura defende uma revisão urgente do modelo de financiamento dos corpos de bombeiros. A federação sublinha que o combustível representa uma despesa indispensável à actividade operacional. Ambulâncias, veículos de combate a incêndios, viaturas de desencarceramento e outros meios têm de permanecer permanentemente disponíveis para responder às ocorrências, pelo que qualquer aumento dos combustíveis tem impacto imediato nos custos de funcionamento.
Segundo a estrutura presidida por António Carvalho, o problema é agravado pelo facto de os mecanismos de financiamento das associações não acompanharem ao mesmo ritmo a subida das despesas. Além dos combustíveis, são apontados aumentos nos custos de energia, manutenção de viaturas e equipamentos, seguros, instalações e recursos humanos.
A organização alerta, no mesmo comunicado, que o aumento da despesa com combustível pode obrigar as associações a retirar recursos de outras áreas, como a manutenção de viaturas, aquisição de equipamentos, formação, investimento em instalações ou renovação da frota.
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa considera que existe uma “contradição” entre os níveis de prontidão exigidos pelo Estado aos corpos de bombeiros e o financiamento disponibilizado para assegurar essa capacidade operacional. Nesse sentido, pede ao Governo uma resposta estrutural e não apenas medidas pontuais quando uma associação entra em dificuldades financeiras.
Entre as medidas propostas estão a actualização dos mecanismos de financiamento em função da evolução dos custos operacionais, a criação de mecanismos específicos de compensação para aumentos extraordinários dos combustíveis e uma revisão do modelo de financiamento dos bombeiros. No comunicado, a estrutura apela ao Governo para que adopte “medidas concretas” destinadas a garantir a sustentabilidade financeira das associações. “Quando uma ambulância sai para uma emergência, o combustível não pode ser uma questão financeira. Tem de estar lá”, conclui.

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